Goiás

Ministério Público denuncia mulher que fingia ser criança para aplicar golpes

Ministério Público denuncia mulher que fingia ser criança para aplicar golpes

O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) formalizou, nesta terça-feira, a denúncia contra Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, por crimes de estelionato e identidade falsa. A mulher ganhou notoriedade nacional após ser descoberta simulando ter 12 anos de idade para obter benefícios, como moradia, alimentação e suporte financeiro, em diversos estados brasileiros. O caso, que chocou pela complexidade da encenação, revela uma estratégia de manipulação que se estendeu por meses.

estelionato: cenário e impactos

A estratégia de manipulação e o acolhimento familiar

Durante cerca de 14 meses, Amanda, que utilizava o nome falso de Gabriele Ferreira dos Santos, conseguiu ser acolhida por uma família em Santa Catarina. Para sustentar a farsa, ela construiu uma narrativa de vulnerabilidade, alegando ter sido vítima de abusos, maus-tratos e abandono familiar. A estratégia envolvia comportamentos infantilizados, como o uso de chupetas e mamadeiras, além da simulação de crises emocionais noturnas para atrair a atenção e o cuidado dos seus benfeitores.

A confiança foi conquistada gradualmente, envolvendo não apenas a família que a acolheu, mas também membros de uma comunidade religiosa local. Sempre que a família tentava formalizar a situação, seja por meio de processos de adoção ou matrícula escolar, a suspeita recorria a chantagens emocionais. Ela alegava que a oficialização de sua identidade poderia revelar seu paradeiro a um suposto agressor, mantendo a família em um estado constante de proteção e medo.

Investigação e o desfecho da farsa

O delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelas investigações, detalhou que a mulher possuía justificativas elaboradas para explicar sua aparência física, que destoava da idade declarada. Ela afirmava ter sido forçada a ingerir hormônios durante a infância em um suposto ambiente de exploração, o que teria acelerado seu desenvolvimento físico. A farsa começou a ruir quando uma tia da família acolhedora, desconfiada, realizou buscas na internet e identificou registros de condutas semelhantes praticadas por Amanda em outros estados, como Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Incidente de insanidade mental e próximos passos

Diante da complexidade do comportamento apresentado, a Justiça catarinense, atendendo a um pedido da defesa, determinou a instauração de um incidente de insanidade mental. Este procedimento técnico visa avaliar a condição psicológica da acusada e determinar se ela possui plena capacidade de entendimento e autodeterminação sobre seus atos. Enquanto o exame não for concluído, o processo penal permanece suspenso.

O Ministério Público ressaltou, em nota, que o resultado dessa avaliação será determinante para o futuro da ação. Caso seja comprovada a inimputabilidade, a ré poderá ser submetida a uma medida de segurança, em vez de cumprir uma pena privativa de liberdade tradicional. O caso segue sob acompanhamento das autoridades, servindo como um alerta sobre a importância da cautela em processos de acolhimento informal. Para mais informações sobre este e outros desdobramentos jurídicos, continue acompanhando O Parlamento, seu portal de notícias com compromisso e transparência.

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