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Trauma após acidente em Goiás: estudante sobrevivente lamenta perda de colegas e o peso das memórias

A comunidade de Córrego do Ouro, em Goiás, foi abalada por uma tragédia que ceifou a vida de cinco estudantes e deixou marcas profundas nos sobreviventes. O acidente com uma van escolar na GO-518, que transportava jovens do Colégio Estadual da Polícia Militar 5 de Janeiro, de Sanclerlândia, para suas casas, trouxe à tona a fragilidade da vida e a dor da perda. Em um relato emocionante à TV Anhanguera, uma das alunas que escapou ilesa fisicamente, Valentina Pereira, expressou o impacto psicológico avassalador do ocorrido.

O Relato Emocionante das Sobreviventes

Valentina Pereira, apesar de não ter sofrido ferimentos físicos graves, carrega as cicatrizes invisíveis de um evento que mudou sua vida. Com a voz embargada e os olhos marejados, ela compartilhou a angústia de ter presenciado a tragédia. “Todo mundo se machucou e eu não tive nada, nada, nada… só memórias mesmo, que vão machucar demais”, disse a jovem, evidenciando o peso do trauma. A perda de amigos próximos intensifica a dor, como ela mesma afirmou: “Eu estou bem, mas o que dói é saber que muita gente que eu gostava morreu”.

Outra sobrevivente, Izabela Vitória, descreveu a cena pós-acidente com dificuldade, mas com clareza sobre o caos. “Eu só me lembro que eu estava sentada, aí do nada escureceu e aí eu só vi o povo gritando e todo mundo saindo de dentro da van. Muito difícil. É muito… muito ruim, sabe? Não queria que ninguém tivesse morrido, mas Deus sabe de tudo”, relatou Izabela, sublinhando a brutalidade do momento e a impotência diante da fatalidade. Esses depoimentos revelam a dimensão humana da tragédia, que vai além dos números e atinge a saúde mental e emocional de quem sobrevive.

A Tragédia na GO-518 e as Vítimas

O grave acidente ocorreu na noite de segunda-feira, 1º de abril, por volta das 18h30, na GO-518, no trecho entre Buriti de Goiás e Córrego do Ouro. A van escolar, que fazia o trajeto diário de retorno dos alunos do ensino fundamental, colidiu com a traseira de um caminhão que transportava gado. Os estudantes, todos moradores de Córrego do Ouro, haviam saído do Colégio Estadual da Polícia Militar 5 de Janeiro, em Sanclerlândia, às 18h05.

A Polícia Científica identificou as cinco vítimas fatais, cujos corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal na madrugada de terça-feira, 2 de abril:

  • Isadora Castro Neves, de 12 anos
  • Ezequiel Souza Oliveira, de 14 anos
  • Lucas Antônio de Souza Dias, de 14 anos
  • Maria Carolina Sabino Alves, de 11 anos
  • Izadora Monteiro da Silva, de 12 anos

A notícia da morte dos jovens chocou as comunidades envolvidas, levantando questionamentos sobre a segurança no transporte escolar e nas rodovias da região.

O Velório e o Sonho Interrompido de Ezequiel

A dor da perda foi palpável nos velórios das vítimas, realizados em Córrego do Ouro. A história de Ezequiel Souza Oliveira, um dos adolescentes falecidos, trouxe um toque ainda mais comovente à tragédia. Segundo relatos de sua mãe e de uma amiga da família, Ezequiel havia expressado um pressentimento na manhã do acidente, pedindo para não ir à escola, mencionando que “Deus havia dito para ele não ir”. Contudo, sendo semana de provas, a presença era obrigatória.

Orlei Antônio de Souza, avô materno de Ezequiel, compartilhou o sonho do neto de se tornar jogador de futebol. O jovem, que sofria de síndrome do pânico, superou o medo de ônibus para frequentar os jogos, com o apoio e acompanhamento do avô por cerca de cinco anos. A dedicação, o carisma e o amor que Ezequiel nutria por amigos e familiares foram destacados pela amiga da família, que preferiu não se identificar. A interrupção abrupta de uma vida tão jovem e cheia de sonhos ressalta a crueldade do acidente.

As Circunstâncias do Acidente e a Perícia

A dinâmica do acidente, conforme apurado pela Polícia Científica, indica que a van escolar colidiu com a traseira de um caminhão que estava parado na rodovia GO-518. Um detalhe crucial e preocupante é que o caminhão, que transportava gado, estaria sem sinalização adequada, o que pode ter contribuído para a colisão. A perícia técnica é fundamental para esclarecer as causas exatas e as responsabilidades envolvidas, investigando por que o veículo de carga se encontrava parado e sem os devidos alertas.

O major Neosil Vicente Ferreira, diretor do colégio, informou que os alunos que perderam a vida estavam concentrados nos bancos do lado direito da van, na direção do banco do passageiro, a área mais atingida pela colisão. O motorista da van e os estudantes que ocupavam os assentos do lado esquerdo, atrás do condutor, sobreviveram ao impacto, embora muitos tenham ficado feridos. A investigação busca agora determinar todos os fatores que levaram a essa fatalidade, desde as condições da rodovia até a manutenção dos veículos e a sinalização.

Conclusão

A tragédia na GO-518 é um lembrete doloroso da importância da segurança viária e do impacto devastador que acidentes podem ter em comunidades inteiras. Enquanto as famílias das vítimas enfrentam o luto e os sobreviventes lidam com as memórias que “vão machucar demais”, a sociedade clama por respostas e por medidas que previnam futuras fatalidades. O Parlamento continuará acompanhando os desdobramentos deste caso, trazendo informações atualizadas e contextualizadas para nossos leitores, reforçando nosso compromisso com o jornalismo de qualidade e a relevância dos fatos.

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