Dentista é presa em Goiânia após deixar sete pacientes com lesões graves e deformidades

O impacto das intervenções estéticas sem habilitação
Uma operação da Polícia Civil de Goiás, denominada Protocolo de Risco, resultou na prisão da dentista Valéria Ribeiro, em Goiânia, nesta quinta-feira (28). A profissional é investigada por causar lesões graves e deformidades permanentes em pelo menos sete pacientes que buscaram sua clínica, localizada no Setor Bueno, para realizar procedimentos estéticos. Segundo as autoridades, o cenário encontrado no local levantou sérias preocupações sobre a segurança sanitária e a legalidade das práticas exercidas.
O delegado Wladimir Freire, responsável pelo caso, destacou a gravidade das sequelas apresentadas pelas vítimas. De acordo com a investigação, os danos incluem necroses, fibroses, cicatrizes permanentes e infecções severas. A Justiça considera a gravidade das lesões com base no tempo de afastamento das atividades cotidianas das vítimas, que, em muitos casos, superou 30 dias de incapacidade.
Falhas estruturais e riscos à saúde dos pacientes
As apurações apontam que a clínica operava sem a estrutura necessária para intervenções de alta complexidade. Relatos colhidos pela polícia indicam que os procedimentos, como rinoplastia, bichectomia e lipoaspiração de papada, eram realizados em salas odontológicas comuns, desprovidas de condições sanitárias adequadas. Além disso, foram identificadas falhas críticas na esterilização de materiais e na assistência anestésica.
O nível de negligência relatado é alarmante. Em um dos casos, uma paciente teria apresentado complicações tão severas que quase necessitou de internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo o delegado, a própria profissional teria tentado realizar o tratamento pós-operatório da vítima em sua residência, agravando os riscos à saúde da paciente.
A atuação dos órgãos de fiscalização e a defesa
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) confirmou que a dentista possui registro ativo, mas ressaltou que procedimentos cirúrgicos faciais, como a rinoplastia, exigem especialização específica em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF). A investigação aponta que, à época dos fatos, a profissional não possuía a habilitação necessária para executar tais intervenções invasivas.
Durante a operação, que contou com o apoio da Vigilância Sanitária, uma funcionária da clínica foi presa em flagrante por tentar ocultar materiais de interesse da investigação. A Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão, além de determinar o sequestro de R$ 600 mil em bens da investigada. Em nota, a defesa da dentista, representada pela advogada Caroline Bittar, informou que ainda não teve acesso à integralidade dos documentos do processo e que se manifestará de forma detalhada após a análise dos autos.
Segurança do paciente como prioridade
O caso reforça a importância da checagem rigorosa de credenciais e da infraestrutura antes de submeter-se a procedimentos estéticos. O Conselho Regional de Odontologia de Goiás reforça que segue acompanhando os desdobramentos administrativos sob sigilo, visando garantir que a ética profissional seja preservada. O Parlamento continua acompanhando o desenrolar desta investigação e trará atualizações assim que novos fatos forem divulgados pelas autoridades competentes.




