Câmara de Goiânia aprova uso de armas não letais por agentes de trânsito para autodefesa

Câmara de Goiânia aprova uso de armas não letais por agentes de trânsito para autodefesa
Em uma decisão que visa reforçar a segurança dos servidores públicos, a Câmara Municipal de Goiânia aprovou, em segunda votação nesta quinta-feira (28), o projeto de lei 260/2025. A proposta, de autoria do vereador Sanches da Federal (PP), autoriza os agentes de trânsito vinculados à Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) a utilizarem instrumentos de menor potencial ofensivo. A medida busca oferecer meios de autodefesa e proteção a terceiros em situações de risco, diante de um cenário crescente de agressões e intimidações durante as fiscalizações.
Entre os dispositivos permitidos estão os Dispositivos Eletrônicos de Controle (DEC), popularmente conhecidos como tasers, e o spray de pimenta. A aprovação reflete uma preocupação com a integridade física dos agentes, que frequentemente se veem em situações de vulnerabilidade no exercício de suas funções. O projeto, agora, aguarda a sanção ou veto do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) para entrar em vigor.
Condições rigorosas para o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo
A matéria aprovada estabelece critérios estritos para a utilização desses equipamentos. Para que os agentes de trânsito possam portar e empregar os instrumentos de menor potencial ofensivo, será obrigatória a participação em um processo de capacitação técnica e psicológica. Este treinamento visa garantir que os servidores estejam aptos a manusear os dispositivos de forma adequada e a tomar decisões assertivas em momentos de crise, minimizando riscos e assegurando a proporcionalidade no uso da força.
Além da capacitação, o projeto exige que os agentes elaborem um relatório detalhado sempre que os dispositivos forem utilizados. Essa medida de transparência e controle é fundamental para monitorar a aplicação da lei e coibir abusos. Em casos de uso indevido, os agentes estarão sujeitos a responsabilização nas esferas administrativa, civil e penal, reforçando o compromisso com a legalidade e a ética na atuação policial.
A escalada da violência contra agentes de trânsito em Goiânia
A justificativa para a criação do projeto de lei reside no aumento alarmante de episódios de agressão, intimidação e resistência violenta enfrentados pelos agentes de trânsito durante o cumprimento de suas atribuições. O vereador Sanches da Federal destacou que a natureza administrativa da fiscalização de trânsito não exime os servidores de se depararem com conflitos diretos, muitas vezes acirrados, com condutores descontentes.
Esses confrontos, segundo o parlamentar, podem rapidamente escalar para ameaças ou violência física, não apenas contra os próprios agentes, mas também contra populares e testemunhas que estejam no local. A ausência de ferramentas adequadas para conter essas situações coloca os servidores em uma posição de desvantagem, comprometendo sua segurança e a eficácia da fiscalização. A medida busca, portanto, criar condições mínimas de proteção individual, permitindo que os agentes exerçam suas funções públicas com maior segurança.
O debate sobre a segurança e a atuação dos agentes públicos
A discussão sobre o armamento, mesmo que com instrumentos de menor potencial ofensivo, de agentes públicos que não são tradicionalmente considerados forças de segurança, como os agentes de trânsito, é um tema recorrente em diversas cidades brasileiras. A proposta de Goiânia se alinha a um movimento nacional de valorização e proteção desses profissionais, que desempenham um papel crucial na organização do fluxo viário e na garantia da segurança no trânsito.
A implementação de tais medidas, contudo, sempre gera debates sobre a necessidade de um equilíbrio entre a proteção dos agentes e a garantia dos direitos dos cidadãos. A capacitação rigorosa e os mecanismos de responsabilização são vistos como pilares essenciais para evitar o uso desproporcional da força e para assegurar que os instrumentos sejam empregados apenas em situações de real necessidade, conforme o arcabouço legal e os princípios de direitos humanos. A eficácia da medida dependerá da seriedade com que esses protocolos forem aplicados e fiscalizados.
Próximos passos: sanção ou veto do prefeito
Com a aprovação em segunda votação na Câmara, o projeto de lei segue agora para a análise do prefeito Sandro Mabel. O chefe do executivo municipal terá a prerrogativa de sancionar a lei, permitindo sua promulgação e implementação, ou vetá-la, total ou parcialmente. A decisão do prefeito será crucial para determinar o futuro da proposta e a efetivação do uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de trânsito de Goiânia.
A expectativa é que a medida, caso sancionada, contribua significativamente para a segurança dos agentes e para a melhoria das condições de trabalho, impactando positivamente a fiscalização e a ordem no trânsito da capital goiana. O Parlamento continuará acompanhando os desdobramentos dessa importante legislação, trazendo as últimas informações e análises sobre temas que impactam diretamente a vida dos cidadãos. Mantenha-se informado com a nossa cobertura aprofundada e contextualizada sobre política, segurança e desenvolvimento urbano.




