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Empresária sobrevive a 21 fraturas após ser prensada por ônibus escolar em Luziânia

Um momento de rotina transformou-se em um pesadelo para a empresária Soraia Belizário de Medeiros, em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. O que deveria ser uma conversa casual com seu irmão, Carlos Medeiros da Costa, resultou em um grave acidente que deixou marcas profundas e um longo caminho de recuperação pela frente. Soraia foi prensada entre um ônibus escolar e a caminhonete de seu irmão, sofrendo um total de 21 fraturas pelo corpo.

Dinâmica do acidente e o momento de pânico

O episódio ocorreu no dia 24 de abril, mas as imagens de câmeras de segurança que registraram o ocorrido continuam a causar impacto pela violência da cena. Soraia estava posicionada ao lado do veículo do irmão, em um espaço que, segundo ela, não costumava ter fluxo de veículos pesados. A distração momentânea impediu que ela percebesse a aproximação do ônibus escolar.

De acordo com os relatos da vítima e as imagens obtidas, o ônibus se aproximou e a prendeu contra a porta da caminhonete. O desespero aumentou quando, em uma tentativa de manobra, o motorista do ônibus acelerou o veículo, agravando a compressão sobre o corpo da empresária. Testemunhas e motoristas que passavam pelo local buzinaram insistentemente para alertar o condutor sobre a presença da mulher sob a lataria.

“Quando eu senti, o ônibus já estava muito em cima, não dava para correr. Eu já estava prensada. Quando ele acelerou, eu comecei a quebrar”, relembrou Soraia em entrevista. A lembrança mais forte da empresária no momento do impacto foi o medo iminente da morte, gritando para o irmão que não sobreviveria àquela situação extrema.

Gravidade das lesões e a luta pela recuperação

As consequências físicas do acidente foram devastadoras. Soraia Belizário passou 15 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido à complexidade de suas lesões. O balanço médico confirmou 21 fraturas, incluindo regiões críticas como a bacia, a coluna e o ombro, conforme demonstram exames de imagem que circulam como parte do processo de apuração do caso.

Atualmente, a empresária enfrenta uma rotina de limitações severas. Ela ainda não consegue se sentar e depende de uma forte carga de medicamentos para suportar as dores constantes. A recuperação é lenta e exige cuidados contínuos de enfermagem e fisioterapia, mudando drasticamente sua dinâmica pessoal e profissional.

O caso de Soraia levanta um alerta sobre a vulnerabilidade de pedestres em áreas urbanas, mesmo em locais aparentemente seguros. A gravidade das fraturas na bacia e coluna coloca em xeque a mobilidade futura da vítima, que segue sob acompanhamento médico rigoroso para evitar sequelas permanentes.

Impasse jurídico e a ausência de suporte da empresa

Além do trauma físico, a família de Soraia enfrenta dificuldades para obter assistência da empresa responsável pelo transporte escolar. Segundo o advogado da vítima, Vagner de Paula, houve tentativas de agendar reuniões para discutir um possível acordo ou auxílio financeiro para o tratamento, mas os encontros foram sucessivamente desmarcados pela outra parte.

A defesa alega que não houve demonstração de interesse por parte da empresa em arcar com custos básicos, como medicamentos e suporte de enfermagem, essenciais para a fase atual da recuperação. A falta de retorno da transportadora, mesmo após tentativas de contato da imprensa, reforça o sentimento de desamparo da família diante da tragédia.

A Polícia Civil de Goiás acompanha o caso para determinar as responsabilidades criminais do condutor do ônibus. A investigação deve analisar se houve negligência ou imperícia na condução do veículo escolar, especialmente no momento em que o motorista acelerou enquanto a vítima estava prensada.

Segurança no transporte escolar e responsabilidade civil

O acidente em Luziânia reacende o debate sobre a fiscalização e o treinamento de motoristas que operam veículos de grande porte, especialmente no transporte escolar. Empresas que prestam esse tipo de serviço público ou privado possuem responsabilidade civil objetiva sobre danos causados a terceiros, o que implica o dever de reparação independentemente da comprovação de culpa direta em certos contextos.

Para o setor de transporte, o episódio serve como um lembrete trágico da necessidade de dispositivos de segurança auxiliares, como sensores de proximidade e câmeras de ré, que poderiam ter evitado o contato inicial. A segurança viária no Entorno do Distrito Federal é um tema recorrente de preocupação devido ao alto volume de tráfego e à infraestrutura muitas vezes deficitária.

Enquanto o processo legal segue seu curso, Soraia foca em cada pequeno avanço de sua saúde. A história da empresária é um testemunho de resiliência, mas também um clamor por justiça e por maior rigor na condução de veículos que circulam diariamente pelas ruas das cidades goianas. Para mais detalhes sobre este caso e outras atualizações sobre segurança e mobilidade, acesse o portal G1 Goiás.

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