Psiquiatra de Goiás atua como testemunha técnica no julgamento do caso Henry Borel

O julgamento de um dos crimes de maior repercussão na história recente do Brasil ganha um novo capítulo com a participação de um especialista do Centro-Oeste. O médico psiquiatra goiano Hewdy Lobo foi convocado para atuar como testemunha técnica no júri de Jairo Souza Santos Junior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros. O processo, que apura as circunstâncias da morte do menino Henry Borel, ocorrida em 2021, mobiliza a atenção nacional pela gravidade dos fatos e pela complexidade das provas apresentadas.
A expertise goiana no centro de um dos crimes mais chocantes do país
Hewdy Lobo não é um nome estranho ao cenário da medicina legal. Especialista em psiquiatria forense, o médico integra a equipe de assistentes técnicos contratada pela defesa de Dr. Jairinho. Sua função no tribunal ultrapassa o depoimento comum; ele é responsável por fornecer uma análise científica e comportamental que possa oferecer uma perspectiva diferente sobre o réu e os eventos que levaram à tragédia na Barra da Tijuca.
A presença de um profissional de Goiás em um caso julgado no Rio de Janeiro sublinha a relevância da perícia técnica produzida no estado. Lobo participou ativamente da elaboração de um parecer técnico que visa complementar as provas já anexadas ao processo. Segundo o especialista, o trabalho da psiquiatria forense é fundamental para garantir que o julgamento se baseie em dados objetivos, especialmente em casos que geram comoção social extrema, onde o clamor público pode, por vezes, ofuscar a análise técnica rigorosa.
O papel da psiquiatria forense em casos de grande repercussão social
Em depoimentos técnicos como o de Hewdy Lobo, o objetivo é traduzir comportamentos e evidências médicas para a linguagem jurídica. No caso de Dr. Jairinho, a defesa busca, por meio desses pareceres, questionar ou contextualizar as avaliações psicológicas e psiquiátricas realizadas anteriormente. Lobo enfatiza que sua atuação é pautada pelo rigor metodológico e pela ética médica, buscando trazer elementos científicos para o centro do debate jurídico.
“A atuação da psiquiatria forense ajuda a trazer elementos técnicos e científicos para discussões que, muitas vezes, envolvem forte comoção social”, afirmou o médico. Para ele, participar de um julgamento com acompanhamento nacional é uma responsabilidade que exige cautela, visto que o objetivo final é contribuir para uma decisão judicial fundamentada nos limites da medicina e da perícia.
Relembrando o caso que parou o Brasil em março de 2021
A morte de Henry Borel, de apenas 4 anos, chocou o país no dia 8 de março de 2021. O menino estava no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o então vereador Dr. Jairinho. Na ocasião, o casal alegou ter encontrado a criança desacordada no quarto, sugerindo um possível acidente doméstico, como uma queda da cama.
Entretanto, a versão apresentada pelos réus foi rapidamente confrontada pelos laudos médicos. No hospital, constatou-se que Henry já chegou sem vida e apresentava sinais de hemorragia interna e laceração hepática. O laudo definitivo do Instituto Médico-Legal (IML) foi ainda mais contundente: foram identificadas 23 lesões pelo corpo da criança, ferimentos incompatíveis com uma queda acidental, o que levou a Polícia Civil e o Ministério Público a denunciarem o casal por homicídio triplamente qualificado e tortura.
Próximos passos do júri e a expectativa para o depoimento técnico
O julgamento, que teve início na segunda-feira, 25 de maio, segue um cronograma intenso de oitivas. A expectativa é que Hewdy Lobo seja ouvido nesta quarta-feira, 27 de maio, apresentando suas conclusões técnicas aos jurados. O depoimento é considerado estratégico para a defesa, que tenta desconstruir a imagem de periculosidade atribuída a Jairinho através de análises comportamentais.
Enquanto o tribunal decide o destino dos réus, a sociedade brasileira acompanha atentamente cada detalhe. O desfecho deste caso é visto como um marco para a proteção da infância e para a eficácia do sistema de justiça criminal em crimes domésticos de alta complexidade. A participação de peritos e assistentes técnicos qualificados garante que todas as nuances científicas sejam exploradas antes do veredito final.
Para entender mais sobre o andamento de processos criminais complexos e o papel da perícia no Brasil, você pode consultar o portal oficial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que disponibiliza atualizações sobre casos de interesse público.
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