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Justiça italiana nega extradição de Carla Zambelli, que é liberada em Roma

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi liberada de um presídio na Itália nesta quinta-feira, 22 de maio de 2026, após a Corte Suprema de Cassação, a última instância da Justiça italiana, negar a autorização para sua extradição ao Brasil. A decisão anula uma resolução anterior da Corte de Apelação, que havia se manifestado favoravelmente ao envio da ex-parlamentar para cumprir pena no país de origem.

O comunicado da anulação foi feito aos advogados de Zambelli pouco depois das 21h (horário de Roma, 16h em Brasília). A notícia representa uma reviravolta significativa no processo que mantinha a ex-deputada detida desde julho do ano anterior, no complexo penitenciário de Rebibbia, em Roma. A defesa da ex-deputada conseguiu reverter a decisão em uma audiência que durou cerca de uma hora, onde seis juízes analisaram o recurso.

A Decisão da Corte Suprema e a Libertação

A libertação de Carla Zambelli foi rapidamente celebrada. Em um vídeo divulgado nas redes sociais de seu advogado na Itália, Pieremilio Sammarco, a ex-deputada aparece em frente ao presídio de Rebibbia, visivelmente emocionada e aliviada. “Essa vitória foi de Deus, eu consagrei nossa vitória a Deus. Ele conseguiu, deu força para os nossos advogados. Agora a gente está livre, graças a Deus, para continuar uma vida de missão”, declarou Zambelli na publicação.

Após a liberação, a ex-deputada planeja passar a noite no local onde seu marido, Aginaldo, reside em Roma há alguns meses. As justificativas detalhadas para a rejeição da extradição pela Corte Suprema de Cassação deverão ser publicadas nos próximos dias, oferecendo mais clareza sobre os fundamentos legais da decisão.

Os Argumentos da Defesa e a Posição Brasileira

A estratégia da defesa de Carla Zambelli na Itália, liderada pelo advogado Pieremilio Sammarco, focou em três pilares principais para contestar a extradição. Foram apresentados argumentos sobre supostos “vícios processuais” no julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil, as condições carcerárias do presídio brasileiro para onde ela seria enviada e o estado de saúde da ex-deputada.

Sammarco destacou que a sentença da Corte de Apelação continha “várias contradições e omissões”, especialmente por não ter se pronunciado sobre a averiguação das condições da Colmeia, o presídio indicado para Zambelli no Brasil. Ele questionou o tamanho das celas e a existência de serviço sanitário adequado, pontos cruciais para a defesa. Além disso, o advogado mencionou uma recente piora no estado de saúde de Zambelli, embora sem fornecer detalhes específicos.

Representando o governo brasileiro na audiência, o advogado Enrico Giarda, contratado pela Advocacia-Geral da União (AGU), defendeu a extradição. Giarda argumentou que o processo brasileiro não poderia ser refeito na Itália, enfatizando que o procedimento de extradição se baseia em argumentos técnicos e específicos, os quais, segundo ele, haviam sido integralmente examinados pela Corte de Apelação.

Antes do julgamento, a defesa de Zambelli tentou adiar a audiência, solicitando que os dois processos de extradição fossem analisados em conjunto em uma nova data. Contudo, os juízes da Corte de Cassação negaram o pedido, em parte devido ao fato de a ex-deputada estar presa, o que exigia uma resolução mais célere, sem esperar por uma nova data que poderia levar meses.

Antecedentes: As Condenações no Brasil e os Pedidos de Extradição

Carla Zambelli enfrenta duas penas de prisão no Brasil, resultando em dois pedidos distintos de extradição. O primeiro processo refere-se a uma condenação de dez anos de prisão pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Este caso ganhou grande repercussão e foi um dos motivos para sua saída do país.

Já na Itália, após deixar o Brasil, Zambelli foi condenada a outros cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Essa segunda condenação está ligada ao episódio em que a ex-deputada apontou uma arma para um homem em São Paulo, gerando forte debate público sobre a conduta de figuras políticas.

A Corte de Apelação, instância anterior à Suprema de Cassação, havia analisado ambos os processos em conjunto durante as audiências. No entanto, produziu duas sentenças distintas, uma no final de março e outra em meados de abril, ambas favoráveis à extradição. O recurso analisado e aceito nesta quinta-feira pela Corte Suprema de Cassação era referente à primeira dessas sentenças. O segundo recurso, relativo à outra condenação, será avaliado em uma data futura, mantendo a incerteza sobre o desfecho final de todos os processos de Zambelli na Justiça italiana.

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