Goiás

Crise e superação: os bastidores da seleção da Coreia do Sul para a Copa 2026

Um ciclo marcado por tensões internas

A preparação da seleção da Coreia do Sul para a Copa do Mundo de 2026 foi tudo, menos tranquila. O caminho até a convocação final, anunciada neste sábado (16 de maio), foi atravessado por episódios de indisciplina, divisões no vestiário e uma gestão técnica que gerou profundos questionamentos. O ponto de ebulição ocorreu em fevereiro de 2024, durante a disputa da Copa da Ásia, quando um conflito entre as principais estrelas do elenco, Heung-Min Son e Kang-In Lee, expôs a fragilidade do grupo.

O desentendimento, que começou com uma discussão sobre a falta de foco em um momento de concentração — motivada por uma partida de pingue-pongue —, escalou para uma agressão física. O incidente não apenas dividiu o elenco entre veteranos e jovens, mas também colocou em xeque a autoridade da comissão técnica da época, liderada por Jurgen Klinsmann. A incapacidade de gerir o conflito e a subsequente eliminação na semifinal do torneio asiático para a Jordânia, por 2 a 0, marcaram o início do fim para o treinador alemão.

A queda de Klinsmann e a busca por estabilidade

A demissão de Jurgen Klinsmann foi o desfecho de um desgaste que ia muito além das quatro linhas. A Federação Sul-Coreana de Futebol enfrentava críticas constantes devido à ausência frequente do técnico no país, já que ele mantinha residência em Los Angeles. A entidade justificou o desligamento afirmando que a liderança e a gestão tática de Klinsmann ficaram aquém das expectativas, não demonstrando a capacidade necessária para conduzir o time em um ciclo de Copa do Mundo.

Em nota oficial, a federação destacou que a decisão de mudar o comando técnico antes das eliminatórias era vital para tentar restaurar a competitividade da equipe. Klinsmann deixou o cargo após menos de um ano, tendo comandado a seleção em 17 partidas, com oito vitórias. A instabilidade gerada por sua gestão deixou cicatrizes profundas, exigindo uma reformulação rápida na mentalidade do grupo para o desafio global que se aproxima.

A era Hong Myung-bo: o retorno de um ícone

Para assumir o posto deixado por Klinsmann, a federação apostou em um nome que carrega o peso da história: Hong Myung-bo. Ex-zagueiro e símbolo da evolução do futebol sul-coreano, Myung-bo é uma figura lendária no país. Sua trajetória inclui a participação em quatro edições da Copa do Mundo (1990, 1994, 1998 e 2002), sendo peça fundamental na campanha histórica de 2002, onde foi eleito a “Bola de Bronze” do torneio.

A expectativa é que sua liderança técnica e o respeito que impõe ao elenco ajudem a cicatrizar as divisões internas. Com a lista de 26 convocados definida, a Coreia do Sul agora foca em sua estreia no Mundial. O time, que conta com nomes como Kim Min-jae e o próprio Son Heung-min, busca deixar para trás o passado recente conturbado e focar na estratégia para os confrontos contra Tchéquia, México e África do Sul. Para acompanhar os desdobramentos desta jornada e outras notícias do cenário esportivo mundial, continue acompanhando o Jornal O Parlamento, seu portal de referência em informação contextualizada e de qualidade.

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