Atendimento deficiente: Procon proíbe Bradesco de abrir novas contas por um mês

O Banco Bradesco, uma das maiores instituições financeiras do país, enfrentará severas restrições em uma de suas agências em Juiz de Fora, Minas Gerais. A decisão, imposta pelo Procon municipal, suspende por 30 dias a abertura de novas contas e a comercialização de diversos produtos financeiros na unidade localizada na Avenida Barão do Rio Branco. A medida, que visa proteger os direitos dos consumidores, é resultado de uma série de denúncias e fiscalizações que apontaram falhas recorrentes no atendimento.
A determinação do Procon, divulgada em 16 de maio de 2026, surge após a agência acumular cinco autos de infração em um período de apenas seis meses, entre outubro de 2025 e março de 2026. As queixas não são recentes, indicando um padrão de problemas que já vinham sendo observados pelo órgão de defesa do consumidor. Essa ação sublinha a importância da fiscalização para garantir que as instituições financeiras cumpram com suas responsabilidades e ofereçam um serviço adequado à população.
Histórico de Irregularidades e Fiscalizações do Bradesco
As fiscalizações realizadas pelo Procon de Juiz de Fora revelaram um cenário preocupante para os clientes do Bradesco. Entre as principais irregularidades identificadas, destacam-se as longas filas que se formavam do lado de fora da agência, a ausência de distribuição de senhas e a falta de organização no processo de atendimento. Tais condições geravam transtornos significativos, especialmente para os grupos mais vulneráveis da sociedade.
O relatório do Procon detalha que idosos e aposentados, muitos deles com dificuldades de mobilidade ou saúde, foram obrigados a aguardar atendimento sob condições climáticas adversas, expostos ao sol ou à chuva. Essa situação não apenas desrespeita o Código de Defesa do Consumidor, mas também viola princípios básicos de dignidade e acessibilidade, levantando questões sobre a prioridade e o cuidado com essa parcela da clientela.
O Impacto no Consumidor e as Restrições Impostas
A decisão do Procon vai além da suspensão da abertura de novas contas. Durante o período de 30 dias, a agência do Bradesco na Avenida Barão do Rio Branco também estará impedida de vender produtos como seguros, previdência privada, consórcios e títulos de capitalização. Essa restrição comercial visa pressionar a instituição a implementar mudanças efetivas e aprimorar a qualidade de seus serviços, impactando diretamente a capacidade de expansão de sua base de clientes e de oferta de produtos.
Adicionalmente, o órgão estabeleceu que, em períodos de maior movimentação de aposentados e pensionistas do INSS, as restrições serão ainda mais rigorosas. Nesses dias específicos, a agência deverá concentrar suas operações apenas em serviços considerados essenciais, garantindo que as necessidades básicas desses beneficiários sejam atendidas, mas limitando outras atividades que possam gerar mais filas ou sobrecarregar o sistema.
Medidas Corretivas Ignoradas e o Cenário Bancário Nacional
Segundo o Procon, o Bradesco foi notificado diversas vezes sobre os problemas e participou de reuniões com o órgão, recebendo prazos para implementar as correções necessárias. No entanto, as mudanças exigidas não teriam sido efetivadas, culminando na drástica medida de suspensão. A reincidência e a falta de resposta efetiva às solicitações do órgão de defesa do consumidor foram fatores determinantes para a decisão.
O Procon também correlacionou a piora no atendimento à política de redução do número de funcionários e ao fechamento de agências físicas, um movimento observado em todo o setor bancário nos últimos anos. O Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora corroborou essa análise, criticando a diminuição significativa da estrutura do Bradesco na região. Essa tendência, embora muitas vezes justificada pela digitalização dos serviços, pode resultar em sobrecarga para as unidades remanescentes e, consequentemente, na degradação da qualidade do atendimento presencial.
Questionado sobre o caso, o Bradesco informou que não comenta situações em discussão judicial ou administrativa, mantendo sua postura padrão em processos dessa natureza. A decisão do Procon de Juiz de Fora serve como um alerta para o setor bancário sobre a necessidade de equilibrar a modernização e a eficiência com a manutenção de um atendimento humano e de qualidade, especialmente para os segmentos da população que dependem mais dos serviços presenciais.
Para mais informações sobre direitos do consumidor e regulamentações bancárias, você pode consultar o site do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. Acompanhe o Jornal O Parlamento para se manter informado sobre as notícias mais relevantes e contextualizadas do Brasil e do mundo. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, abrangendo uma variedade de temas que impactam diretamente o seu dia a dia.




