Novas regras do PIX: como o Banco Central restringe transferências de celulares não cadastrados

O cenário das transações financeiras digitais no Brasil está em constante evolução, impulsionado pela busca por maior segurança e pela necessidade de combater a crescente sofisticação dos golpes virtuais. Nesse contexto, o Banco Central do Brasil (BC) implementou, em 15 de maio de 2026, uma nova diretriz que altera significativamente a forma como os usuários realizam transferências via Pix, especialmente quando utilizam dispositivos não cadastrados previamente em suas contas bancárias.
A medida, que visa proteger o patrimônio da população e blindar o ambiente virtual contra acessos maliciosos, introduz filtros preventivos que exigem dos usuários a compreensão de novos parâmetros técnicos para evitar bloqueios inesperados em suas transações rotineiras. A partir de agora, qualquer smartphone ou dispositivo eletrônico que nunca tenha sido utilizado para operar a conta de um usuário sofrerá restrições automáticas nas primeiras movimentações financeiras via Pix.
O Pix no centro da segurança digital brasileira
Desde sua criação, o Pix revolucionou o sistema de pagamentos no Brasil, oferecendo agilidade e praticidade para milhões de brasileiros. No entanto, sua popularidade e velocidade também o tornaram um alvo frequente para criminosos digitais. O aperfeiçoamento constante das ferramentas tecnológicas que estruturam o sistema bancário brasileiro, portanto, exige uma adaptação periódica dos protocolos de movimentação de capitais.
As intervenções regulatórias do Banco Central têm como objetivo principal resguardar a segurança dos usuários. O combate sistemático aos golpes digitais dita o ritmo das atualizações nas plataformas bancárias, que buscam se antecipar às táticas das quadrilhas. Essas organizações criminosas frequentemente se valiam de logins rápidos em aparelhos desconhecidos e da falta de barreiras geográficas para dispersar imediatamente receitas roubadas em praças distantes, dificultando o rastreamento e a recuperação dos valores.
Novas restrições para transferências do Pix em dispositivos não cadastrados
Para coibir essas práticas, a nova diretriz do Banco Central, detalhada na Resolução BCB nº 429, estabelece limites severos para as transferências financeiras originadas de smartphones que não foram previamente cadastrados pelo correntista. Na prática, ao tentar realizar uma transação Pix a partir de um novo aparelho, o usuário se deparará com restrições automáticas.
Os tetos para envios avulsos caem para R$ 200, e o limite máximo diário consolidado é reduzido para apenas R$ 1.000. Essas restrições permanecem ativas até que o cliente realize a validação biométrica integral diretamente no aplicativo corporativo da instituição financeira responsável pela conta. É um passo adicional de segurança que garante que apenas o titular da conta, com sua identidade verificada, possa liberar limites maiores.
Como reverter os limites e aumentar a proteção
Para restabelecer os limites maiores customizados anteriormente, os correntistas precisam realizar o cadastro prévio de seus aparelhos habituais. Esse processo, geralmente simples e feito dentro do próprio aplicativo bancário, cria uma dupla camada de autenticação. Essa medida impede que criminosos em posse de senhas vazadas consigam “limpar” saldos por meio de telefones novos, mesmo que tenham acesso às credenciais de login.
A iniciativa do Banco Central não atua isoladamente. Ela se alinha perfeitamente com o aprimorado Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), que já oferece um caminho mais eficiente para a recuperação de valores em casos de fraude. Juntos, esses mecanismos fortalecem a rede de proteção ao consumidor e tornam o ambiente do Pix mais seguro para todos os usuários, mitigando os riscos associados às transações digitais rápidas.
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