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Ginecologista preso em Goiás: gestantes e jovens em primeira consulta entre vítimas de crimes sexuais

Um caso chocante de traição da confiança e abuso de poder abala a comunidade de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, e repercute por todo o país. O ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, foi preso preventivamente sob a acusação de **estupro de vulnerável**, suspeito de cometer **crimes sexuais** contra mais de vinte pacientes durante consultas médicas. Entre as vítimas, relatos apontam para a presença de mulheres **grávidas** e jovens em sua **primeira consulta ginecológica**, evidenciando um padrão de aproveitamento da extrema fragilidade de suas pacientes.

A prisão do médico, ocorrida na quinta-feira (23), foi mantida pela Justiça após audiência de custódia, diante da gravidade das denúncias. Até o momento, 23 mulheres, com idades entre 18 e 45 anos, já procuraram a **Polícia Civil** para relatar os abusos, que, segundo as investigações, teriam ocorrido entre 2017 e o período recente. O caso lança luz sobre a **vulnerabilidade** inerente à relação médico-paciente, especialmente em especialidades como a ginecologia, onde a intimidade e a confiança são pilares essenciais.

O Abuso da Confiança Médica e o Modus Operandi

As investigações, conduzidas pela delegada Amanda Menuci e pela Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem), revelam um **modus operandi** perturbador. O médico Marcelo Arantes e Silva, de acordo com os depoimentos, explorava a **situação de vulnerabilidade** das pacientes em um ambiente que deveria ser de segurança e acolhimento. A delegada Gabriela Morais destacou que, em uma consulta ginecológica, a vítima está fisicamente e emocionalmente exposta, confiando plenamente no profissionalismo do médico, o que dificulta qualquer forma de resistência ou contestação.

Relatos indicam que o médico agia de forma repetitiva: as primeiras consultas seriam marcadas por toques físicos indesejados e perguntas de teor sexual totalmente inapropriadas. Uma das práticas descritas é a realização de exames sem o uso de luvas, enquanto fazia perguntas de cunho íntimo, como questionar sobre a vida sexual das pacientes ou se elas estavam sentindo prazer. “Ele fazia perguntas sobre sexualidade, se a vítima estava gostando, se estava tendo prazer naquilo, temos uma vítima que estava grávida e ele não respeitou nem essa situação ainda mais vulnerável da gravidez”, detalhou a delegada Amanda Menuci, ressaltando o desprezo pela condição sensível das gestantes.

O Peso da Gravidez de Risco e a Coragem da Denúncia

Um dos casos mais emblemáticos envolve uma **vítima grávida** que, após desconfiar das condutas do médico, passou a gravar as consultas. Ela chegou a ser contatada pelo próprio Marcelo Arantes por mensagem, em um episódio onde ele teria feito comentários pejorativos enquanto tocava suas partes íntimas. A gestante, em um primeiro momento, ponderou não denunciar devido a uma gravidez de risco que exigia repouso. A dificuldade de denunciar em momentos de extrema fragilidade psicológica e física, aliada ao conhecimento técnico do médico que a levava a manter as consultas, ilustra o complexo cenário enfrentado pelas vítimas.

Apesar do comportamento suspeito, a autoridade médica exercida por Arantes e Silva dificultava que as pacientes reconhecessem prontamente o abuso. “Ele agia da mesma forma, com as mesmas práticas sexuais, ganhando a confiança da vítima, testando elogios, tocando libidinosamente as partes íntimas delas”, afirmou a delegada. A descrição da polícia é a de um “verdadeiro **predador sexual** que faz do ambiente clínico um local de vulnerabilização das vítimas, se aproveita dessa autoridade médica que ele tem sobre elas”.

Repercussão, Trauma e a Necessidade de Denunciar

A notícia da prisão e as denúncias contra o ginecologista geraram grande comoção e alerta. Uma das mulheres que denunciou o médico à TV Anhanguera expressou o profundo **trauma** e o impacto duradouro dos abusos: “Eu estou completamente traumatizada, a cada notícia intensifica a ansiedade, a insônia, as lembranças”. O caso ressalta a importância de um ambiente seguro para o cuidado com a saúde e a necessidade de que profissionais da medicina sejam sempre transparentes e éticos em suas condutas.

A defesa do médico, por sua vez, reputou a prisão como desnecessária, argumentando que a privação da liberdade antes do trânsito em julgado de eventual sentença condenatória deve ser uma exceção, cabível apenas quando medidas alternativas se mostram insuficientes. No entanto, a Justiça considerou os indícios e a natureza dos crimes como suficientes para manter a prisão preventiva.

A delegada Ana Elisa Gomes, da Deaem, reiterou a importância vital de que mulheres que tenham sido vítimas de **abusos** procurem a delegacia para formalizar a denúncia. O engajamento das vítimas é crucial para que a polícia possa aprofundar as investigações, reunir mais provas e garantir que a Justiça seja feita. Este caso serve como um doloroso lembrete da fragilidade humana diante da autoridade e da importância da vigilância e do apoio às vítimas para que a coragem de falar seja amplificada.

O desdobramento das investigações será acompanhado de perto, buscando oferecer suporte às vítimas e assegurar que atos como esses não fiquem impunes. A sociedade espera que este episódio inspire uma reflexão profunda sobre a segurança nos ambientes de saúde e a responsabilidade ética dos profissionais. Continue acompanhando O Parlamento para se manter informado sobre este e outros temas relevantes. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, que contextualiza os fatos e oferece uma leitura jornalística aprofundada, abordando a diversidade de assuntos que impactam sua vida e a sociedade.

Fonte: https://g1.globo.com

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