Economia

Rio de Janeiro e Rondônia Mantêm ICMS do Diesel e Não Aderem à Proposta Federal de Subsídio

Em um cenário de esforços governamentais para conter a escalada dos preços dos combustíveis no país, os estados do Rio de Janeiro e de Rondônia se destacaram ao indicar que não aderirão à proposta federal de subsídio ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel importado. A informação, divulgada nesta quinta-feira (2), partiu do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, em entrevista a jornalistas. A decisão desses dois estados representa um contraponto à adesão majoritária que o governo federal tem conseguido junto às demais unidades da federação, em uma iniciativa que visa mitigar os impactos da volatilidade do mercado internacional sobre o bolso do consumidor brasileiro.

De acordo com Alckmin, a ampla maioria, cerca de 90% dos estados brasileiros, já sinalizou positivamente à subvenção. Outros dois ou três ainda avaliavam a proposta e deveriam se posicionar nas próximas horas. A medida surge como uma resposta direta à alta dos combustíveis, impulsionada principalmente pelas tensões geopolíticas e pela guerra no Oriente Médio, que desestabilizaram o mercado global de petróleo e seus derivados, com reflexos imediatos nos custos de transporte e, consequentemente, na inflação interna.

O Cenário Global e a Relevância do Diesel na Economia Brasileira

A dependência brasileira do diesel, insumo essencial para o transporte de cargas, agricultura e serviços, torna o país particularmente vulnerável às flutuações do preço do petróleo. Quando o cenário internacional se agrava, como ocorreu com o conflito no Oriente Médio, os custos de importação e distribuição do combustível aumentam drasticamente. Essa elevação não afeta apenas os motoristas, mas se espalha por toda a cadeia produtiva, encarecendo produtos básicos e serviços, o que pressiona a inflação e compromete o poder de compra da população.

Diante desse quadro, o governo federal tem buscado alternativas para estabilizar os preços, evitando repasses integrais e abruptos que poderiam frear a atividade econômica e aprofundar crises sociais. A proposta de subsídio ao ICMS do diesel importado é uma dessas ferramentas, criada para atuar como um amortecedor contra a volatilidade externa, garantindo um certo nível de previsibilidade e alívio financeiro para diversos setores da economia.

Detalhes da Proposta de Subsídio e o Acordo Federativo

Com caráter temporário e excepcional, a iniciativa prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro de diesel importado, com duração estipulada em dois meses. O impacto fiscal total é estimado em R$ 3 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão por mês. O custeio dessa medida será dividido igualmente entre a União e os estados: R$ 0,60 por litro será arcado pelo governo federal, e os outros R$ 0,60, pelas unidades da federação que aderirem ao programa. Esta engenharia financeira foi apresentada pela equipe econômica após uma inicial resistência dos governadores em zerar o ICMS sobre a importação do combustível, sinalizando um esforço de conciliação para viabilizar o alívio de preços.

A importância do acordo entre a União e os estados reside na compreensão de que o combate à inflação e a garantia de estabilidade econômica são responsabilidades compartilhadas. O ICMS, principal imposto de arrecadação estadual, é uma peça-chave nesse tabuleiro, e sua flexibilização, mesmo que temporária, exige um alinhamento político e fiscal significativo.

Outras Medidas Governamentais e o Impacto Fiscal Ampliado

A proposta de subsídio ao ICMS soma-se a outras medidas já anunciadas pelo governo em 12 de outubro. Entre elas, destaca-se o subsídio de R$ 0,32 por litro destinado a produtores e importadores, além do corte nas alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel. Essas ações combinadas visam a uma redução mais abrangente no preço final do combustível na bomba.

O impacto fiscal dessas renúncias é considerável. A zeragem do PIS e Cofins para o diesel, por exemplo, deve resultar em uma perda de arrecadação estimada em R$ 20 bilhões para os cofres federais. Já a subvenção direta ao diesel, conforme detalhado, adiciona um impacto de R$ 10 bilhões ao caixa da União. Tais números ilustram o montante dos recursos mobilizados pelo governo federal na tentativa de blindar a economia e os consumidores das pressões inflacionárias externas, evidenciando o dilema entre a necessidade de arrecadação e a urgência de controle de preços.

As Razões da Divergência: Rio e Rondônia na Contramão

A decisão de Rio de Janeiro e Rondônia de não aderir à proposta de subsídio levanta questões sobre os motivos por trás dessa postura divergente. Embora os governadores não tenham detalhado publicamente as razões específicas, é plausível que a preocupação com a perda de arrecadação do ICMS — um imposto crucial para a sustentabilidade financeira dos estados — seja um fator determinante. Em um momento de desafios fiscais, abrir mão de parte da receita, mesmo com a União compartilhando o ônus, pode ser visto como um risco para a capacidade de investimento e manutenção de serviços públicos locais. Além disso, a autonomia federativa permite que cada estado avalie as políticas que melhor se alinham às suas realidades econômicas e prioridades orçamentárias.

Para os cidadãos e empresas desses estados, a não adesão pode significar a manutenção de um custo mais elevado para o diesel, impactando diretamente os preços de produtos e serviços que dependem do transporte rodoviário. Enquanto a maioria do país busca um alívio temporário, Rio de Janeiro e Rondônia parecem trilhar um caminho distinto, cujos desdobramentos ainda serão sentidos nas respectivas economias e no dia a dia da população.

Este cenário complexo, que mistura pressões econômicas globais, decisões fiscais estaduais e a busca por estabilidade de preços, continua a evoluir. O Parlamento segue acompanhando de perto as discussões e os impactos dessas medidas, oferecendo análises aprofundadas e contextualizadas para que você compreenda as nuances da economia e da política nacional. Mantenha-se informado e atualizado conosco, explorando a variedade de temas e o compromisso com a informação de qualidade que norteiam nosso trabalho.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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