Industrialização brasileira de terras raras é proposta por Renan Santos

O cenário político brasileiro se aquece com as propostas dos pré-candidatos à Presidência. Em um evento realizado em Goiânia, Goiás, o pré-candidato Renan Santos (Missão) trouxe à tona uma pauta de grande relevância estratégica e econômica: a gestão das reservas de terras raras do Brasil. Em sua fala, Santos declarou que, caso seja eleito, sua administração terá como prioridade “brecar absolutamente tudo” em relação aos acordos vigentes sobre esses minerais e imporá a exigência de que sua produção e processamento ocorram integralmente em território nacional.
A proposta de Renan Santos visa reorientar a política de exploração desses recursos, condicionando o acesso às vastas reservas brasileiras à transferência de tecnologia e à fabricação de componentes no país. A iniciativa, apresentada a apoiadores em um pub no Setor Bela Vista, em Goiânia, sinaliza uma postura mais assertiva do Brasil no tabuleiro geopolítico global, buscando transformar a riqueza mineral em alavanca para o desenvolvimento industrial e tecnológico.
A importância estratégica das terras raras para o Brasil
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos cruciais para a fabricação de uma vasta gama de tecnologias modernas e limpas. Desde veículos elétricos e turbinas eólicas até smartphones, equipamentos médicos e sistemas de defesa, esses minerais são indispensáveis para a economia global do século XXI. O Brasil detém uma parcela significativa das reservas mundiais, estimada em cerca de 20%, o que confere ao país uma posição de destaque e potencial influência no mercado internacional.
Atualmente, a mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, é um exemplo notável da capacidade brasileira no setor. Operando como uma empresa privada, ela se destaca como a única fora da Ásia a produzir em escala comercial os quatro elementos magnéticos de terras raras essenciais para as tecnologias de ponta. A recente aquisição da empresa pela USA Rare Earth por aproximadamente R$ 14 bilhões (US$ 2,8 bilhões) sublinha o valor estratégico e o interesse global nesses ativos.
Proposta de soberania e industrialização nacional
A visão de Renan Santos para as terras raras vai além da simples exploração mineral. Ele critica a atual dinâmica, onde “grupos econômicos dos mais baixos, ligados a grandes bancos e a políticos se apropriando deles, e correndo para fazer negócio com os gringos”. Para o pré-candidato, essa prática desvaloriza o potencial nacional e impede que o Brasil colha os frutos completos de sua riqueza mineral.
O cerne de sua proposta é a criação de um plano nacional de terras raras que esteja intrinsecamente ligado a um plano geopolítico de industrialização do país. “Eu, como presidente, vou brecar absolutamente tudo. O plano nacional de terras raras tem que passar necessariamente por um plano geopolítico que passe pela industrialização do Brasil”, afirmou Santos. A ideia é que o Brasil utilize seu protagonismo como detentor de grandes reservas para atrair investimentos em tecnologia e garantir que a produção de componentes eletrônicos e de energia limpa seja realizada em solo nacional, agregando valor à matéria-prima bruta.
Oportunidade geopolítica e desenvolvimento tecnológico
A estratégia de Renan Santos posiciona o Brasil como um ator-chave no cenário global de terras raras. Ao exigir a transferência de tecnologia e a industrialização local, o país poderia ascender na cadeia de valor, passando de mero exportador de matéria-prima a produtor de bens de alta tecnologia. Essa abordagem não apenas geraria empregos qualificados e impulsionaria a economia, mas também fortaleceria a soberania nacional sobre recursos estratégicos.
“Porque, hoje, tendo 20% das reservas globais, boa parte delas aqui em Goiás, nós temos que olhar para os Estados Unidos, para o Japão, para a Europa e avisar: aqui é a única oportunidade que vocês têm de ter acesso a isso”, destacou Renan Santos. Essa retórica sugere uma negociação mais dura com potências estrangeiras, utilizando a escassez global e a dependência de terras raras como uma ferramenta para forçar a cooperação tecnológica e o investimento em infraestrutura industrial no Brasil. A proposta, embora ainda em fase de pré-campanha e sem detalhes sobre quais acordos seriam barrados, abre um debate importante sobre o futuro da mineração e da industrialização brasileira.
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