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Governo de Goiás homenageia Cora Coralina com vinhetas

Parceria entre Secult e ABC levará ao ar, em rádio e TV, trechos e comentários de obras da poetisa em pílulas de áudio e vídeo

A Secretaria de Cultura (Secult Goiás) e da Agência Brasil Central (ABC), lançou na noite dessa quinta-feira, dia 7, as pílulas e vinhetas alusivas ao Ano Cultural Cora Coralina. O material, que inclui recitação de trechos e comentários da vida e da obra da poetisa por personalidades radicadas em Goiás, será exibido a partir de agora na programação dos veículos da rede ABC: rádios RBC AM e FM e TV Brasil Central (TBC).

O evento foi na Vila Cultural Cora Coralina, no Centro de Goiânia, unidade da Secult Goiás que homenageia justamente um dos principais nomes da Cultura Goiana. O trabalho é coordenado pelo Instituto Goiano do Livro (IGL) da Secult.

Estiveram presentes os secretários Edival Lourenço (Cultura), Valéria Torres (Comunicação), o presidente da ABC, José Roberto Borges da Rocha Leão, além de representantes das personalidades que gravaram os áudios e vídeos, como os escritores Lêda Selma e Miguel Jorge e o ator Mauri de Castro (também gravaram o escritor e secretário Edival Lourenço, o artista plástico Hal Wildson, o jornalista Juscelino Kubitschek e a atriz Adriana Britto).

 

O secretário Edival Lourenço destacou a sensibilidade do governador Ronaldo Caiado ao decretar o estabelecimento do Ano Cora Coralina entre 20 de agosto deste ano e 20 de agosto de 2020 (20/8 é a data de nascimento da poetisa). Em 2019 completam-se 130 anos do nascimento de Cora. “O governador faz uma homenagem muito justa a essa mulher que é um dos principais ícones de nossa Cultura. A importância de Cora vai além dos doces e das poesias que fazia, ela é uma personalidade que marcou época e que estava bem à frente de seu tempo”, destacou.

A secretária Valéria Torres chamou a atenção para a importância da mobilização dos órgãos de governo e da sociedade civil para celebração da memória de Cora. “Bem antes de vir a Goiás eu já conhecia o nome de Cora e tinha o sonho de conhecer a cidade onde ela nasceu e viveu boa parte da vida. A primeira vez que estive em sua casa, já transformado em museu, foi emocionante. Todas as homenagens a essa mulher tão marcante são justas”, destacou.

O presidente da ABC, José Roberto Borges, falou sobre a importância do trabalho conjunto entre áreas do governo para a execução dos projetos do Ano Cora Coralina, como o caso das vinhetas, que foram executadas pela equipe da ABC e serão exibidas na programação da rede.

Reconhecimento

O Ano Cora Coralina é uma iniciativa do Governo de Goiás e tem como proposta promover, durante todo o ano (de 20 de agosto de 2019 à mesma data do ano seguinte), diversos eventos e projetos em homenagem à escritora que é um ícone da literatura goiana e brasileira. Além disso, a ideia do governo é integrar as ações com órgãos da sociedade civil organizada, como entidades culturais e de classe, escolas públicas e privadas, universidades, museus, por exemplo.

Além da ação focada em Goiás, a proposta do governo é fazer o Ano Cora Coralina ultrapassar as divisas do Estado. Isso se dará por meio da divulgação da programação em outros Estados e participação em eventos culturais e turísticos. Outra ideia é buscar a parceria de instituições internacionais, como universidades e entidades literárias e culturais, com o intuito de levar o nome de Cora Coralina e da Cultura Goiana para outros países, assim como atrair apoio internacional para a programação do Ano Cora Coralina.

Vilaboense

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina, nasceu na cidade de Goiás, antiga Villa Boa, no dia 20 de agosto de 1889, na Casa Velha da Ponte, às margens do Rio Vermelho, casa que hoje abriga um museu que conserva a memória da escritora. Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador, nomeado por Dom Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, uma dona de casa, Cora cursou apenas até a terceira série do curso primário.

O pseudônimo Cora Coralina, que assinou as obras da escritora, foi escolhido porque na cidade de Goiás havia muitas “Anas”, em homenagem à padroeira local, Sant´Ana. E Cora não queria ser mais uma “Ana”. Ela explicava que “Cora” vem de coração e “Coralina” significa a cor vermelha, Cora Coralina seria coração vermelho, daí surgiu o nome “Cora Coralina”.

Cora foi uma mulher além do seu tempo. Apaixonada pela literatura, Cora começou a escrever seus primeiros versos aos 14 anos, textos que mais tarde foram publicados em jornais de Goiânia e de outras cidades. Ela viveu muitos anos fora da Cidade de Goiás. O primeiro livro veio em 1965, intitulado Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, lançado já na terceira idade, aos 76 anos.

Seus textos falam da vida simples e compõem uma extensa obra ainda não completamente divulgada. Cadernos originais e inéditos, alguns escritos a lápis, estão com a única filha viva da autora, Dona Vicência Brêtas Tahan, que mora em São Paulo. Já outra grande parte do material, incluindo relíquias da escritora estão na sua cidade natal.

O gosto pela culinária também foi referência na vida da poetisa que se tornou doceira, ofício com o qual ganhava a vida, inspirando outras tantas mulheres. Entre os anos de 1965 a 1979, Aninha começou a fabricar doces e a comercializá-los. Os sabores variavam entre laranja, figo, mamão, goiaba, banana, entre outros, que encantavam o paladar de quem os provava. Muitas das frutas vinham do pomar da Casa da Ponte. Pessoas de várias partes do país visitavam a casa de Cora para comprar suas guloseimas e também ouvi-la declamar poesias e contar casos.

De Goiás para o mundo

Embora tenha tido uma vida de lutas e obstáculos, Cora venceu. O reconhecimento da escritora veio a partir de 1975, quando finalmente ela começou a receber a merecida fama no Brasil e no exterior, com participações em eventos literários, entrevistas e solenidades em Goiás e muitas outras cidades no país. Também foi agraciada com diversas premiações e títulos de honraria, além de homenagens memoráveis, até mesmo internacionais.

Cora foi tema da 15ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), em 2013, ilustrando todo o material gráfico do festival, foi agraciada na 34ª edição do tradicional Festival de Cinema sobre Arte e Biografias de Asolo, no Nordeste da Itália, em 2015, tema da Casa Cor, em 2017, e reverenciada pela plataforma digital Google, também em 2017.

Em sua biografia somam-se o lançamento do segundo livro, Meu Livro de Cordel, em 1976, uma segunda edição de Poemas dos becos de Goiás, no ano de 1978, Vintém de cobre – meias confissões de Aninha, em 1984; Estórias da Casa Velha da Ponte e o livro infantil Os meninos verdes, em 1985. Cora Coralina faleceu em Goiânia, no dia 10 de abril de 1985, aos 95 anos, deixando um grande legado artístico.

Comunicação Setorial – Secult Goiás

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