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“O crime organizado não vai fazer a polícia se ajoelhar”, garante Caiado em balanço Operação Cegueira Deliberada

Grupo de Combate à Corrupção ganha sede própria e apresenta resultado de ação que investigou irregularidades ocorridos no Detran em 2014 e 2015

Durante inauguração da sede do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Geccor) da Polícia Civil de Goiás (PC-GO), o governador Ronaldo Caiado enfatizou a importância de fortalecer a Segurança Pública do Estado, possibilitando mais liberdade aos investigadores no combate à corrupção. “Estamos protegendo os goianos. O crime organizado não vai fazer a nossa polícia se ajoelhar. Vamos restabelecer, como já está restabelecido, e será mantida a Segurança Pública em Goiás”, afirmou.

No local, a Polícia Civil realizou um balanço da Operação Cegueira Deliberada, que investiga casos de corrupção ocorridos com recursos do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) durante a gestão passada. Os resultados do trabalho desenvolvido pelo Geccor foram apresentados nesta última quinta-feira, dia 07. A operação levou à prisão de sete pessoas e ao cumprimento de 55 mandados de busca e apreensão, sendo 32 contra pessoas e 23 contra empresas, após apuração de crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Tudo ocorrido nos anos de 2014 e 2015.

Conforme o delegado titular do Grupo, Rômulo Figueiredo de Matos, a organização criminosa ofereceu, de forma ilícita, a concessão do serviço de vistoria veicular a uma única empresa. “Verificamos inúmeras irregularidades no procedimento, como demonstração de falsidade documental, conluio entre as empresas, uso de empresas fictícias, habilitações indevidas e uma série de outras irregularidades”, explicou.

Entre os alvos de mandado de busca e apreensão está o ex-presidente do Detran-GO, João Furtado Neto. O proprietário da Sanperes [empresa de vistoria veicular], Daniel Ganda dos Santos, foi preso temporariamente. Ainda foram apreendidos 16 veículos e uma motocicleta, obras de arte de artistas renomados, relógios de luxo e dinheiro. As fraudes teriam acarretado um superfaturamento e reajustes ilegais acima de R$ 100 milhões no período de 2015 a fevereiro de 2019.

Em relação à liberdade possibilitada à Polícia Civil, o delegado ressaltou que essa organização criminosa já havia sido investigada antes, mas a operação foi barrada. “Hoje, a PC está tendo total autonomia por parte do atual governo para investigar os casos de corrupção”, e completou: “O Geccor irá cuidar de todos os fatos que precisam ser apurados, doa a quem doer, custe o que custar”.

Durante discurso, o secretário de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), Rodney Miranda, citou o novo número do Disque Denúncia, o 181, para incentivar a população a denunciar casos de corrupção em todo o Estado. “É um canal que a gente está oferecendo para que a sociedade nos ajude a descobrir desvios na máquina pública. Já passou da hora das pessoas se indignarem tanto com esse tipo de crime, como se indignam com um assassinato, feminicídio ou assalto”, pontuou.

O delegado-geral da Polícia Civil, Odair José, elogiou a atuação dos delegados e agentes que insistiram em trabalhar nesta Operação e reconheceu o prestígio que o governador concede à categoria. “Essa operação de hoje, quando se tentou levar para frente em 2014, tive até que sair do Estado, o Rômulo também não conseguiu enfrentar os que se antepunham. Agora, sim, se realiza no ambiente de um governo que prioriza a transparência, que não tem temor, que encara de frente a criminalidade”, reconheceu.

Também estiveram no local os secretários Henrique Ziller (CGE), Anderson Máximo (Casa Civil), Valéria Torres (Comunicação), Rafael Rahif (Esporte), Edival Lourenço (Cultura); o comandante-geral da PM, coronel Renato Brum dos Santos; o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Dewislon Adelino Mateus; o diretor-geral de Administração Penitenciária, coronel Wellington Urzêda; o presidente do Detran-GO, Marcos Roberto Silva; o deputado estadual Eduardo Prado; os superintendentes Marcos Egberto (Polícia Técnico Científica), Wellington Bessa (Procon Goiás), Vinícius Ney (Polícia Judiciária); o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Paulo Sérgio Alves; além de delegados, agentes, escrivães, papiloscopistas, bombeiros, policiais civis e militares.

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