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Conheça a Síndrome de Burnout, distúrbio que tem crescido entre profissionais

Casos como da jornalista Izabella Camargo levaram ao esgotamento emocional e trouxeram atenção para esse transtorno que tem tratamento e cura

Em uma realidade onde 72% dos brasileiros dizem sofrer com estresse no trabalho – pesquisa da International Stress Management Association (ISMA-BR) – pouco se fala nas consequências dos distúrbios que podem surgir com o agravamento destas condições. A Síndrome de Burnout é uma delas e, segundo o mesmo estudo, 32% da força de trabalho brasileira pode ser diagnosticada com o transtorno, que começou a ser mais amplamente divulgado após a jornalista Izabella Camargo compartilhar que sofre da condição.

Para entender melhor, a fisioterapeuta, doutora em ciências da saúde e professora da Faculdade Estácio de Goiás, Sara Rosa de Sousa Andrade, explica a Síndrome de Burnout como um fenômeno psicossocial. “A causa deste distúrbio é, realmente, o estresse ocupacional crônico, delineado a partir de uma tríade, traduzindo-se como um sentimento de fracasso e incapacidade de lidar com situações cotidianas do trabalho, deixando o profissional antissocial e fazendo com que ele se perceba improdutivo e desvalorizado, isso aliado ao fato de sentir-se excessivamente fadigado e sem energia e recursos físicos”, disse.

Para alertar, Sara reforça, ainda, que se o profissional sente estresse a ponto de exaustão emocional, despersonalização e baixa realização no trabalho, culminando em desgaste físico, dores musculares, dores de cabeça, insônia, é importante ficar atento. “A exaustão emocional conforme supracitada pode ser sinal da existência de Burnout”, revela a fisioterapeuta, lembrando que quando perceber os sintomas é importante que a pessoa procure os profissionais de saúde que podem confirmar o diagnóstico, como psicólogos, médicos, psiquiatras.

Foi o que aconteceu com o analista de Marketing, Samuel Mendonça, que após se formar focou muito no trabalho sem se preocupar com os momentos de lazer, férias, folgas, e, segundo ele, sem descansar de forma correta nos momentos de folga. “Cheguei em uma ocasião que eu estava desesperado, só queria chorar e ficar sozinho, e não sabia o que estava acontecendo, só tinha suspeita de que poderia ser algo relacionado ao trabalho, que não me dava mais prazer apesar de eu amar o que faço”, contou.

Após um período passando pela crise, o analista de Marketing afirmou que pediu alguns dias de folga, procurou profissionais da saúde e um psicólogo. “Em semanas já me sentia melhor e hoje, meses após a crise, acredito que retomei as rédeas da minha vida e acredito que vou conseguir separar os momentos, tantos os profissionais, quanto os sociais e de lazer”, concluiu.

Apesar de casos como o do Samuel, que notou algo de errado antes que o pior acontecesse, a pesquisa ISMA-BR ainda estima que mais de 30 milhões de trabalhadores brasileiros são portadores da síndrome e comparou os dados com outros países, como o Reino Unido, que apresenta um terço da classe profissional (20 milhões de pessoas) sofrendo com Burnout.

De acordo com os mesmos estudos, nos Estados Unidos, 27% da população pode ser diagnosticada com estresse ocupacional crônico, na Alemanha, cerca de 2,7 milhões de pessoas apresentam sinais psicossomáticos compatíveis com a síndrome. Por isso, segundo Sara, profissionais da saúde já evidenciam que essa síndrome é um problema de saúde pública com características pandêmicas, sendo causa de perdas consideráveis nos contextos psicológico, físico e social do trabalhador.

“Por isso é importante que o profissional fique de olho sobre como se sente ao realizar suas atividades ou sobre o possível excesso de trabalho. Principalmente pessoas que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, dentre outros. Caso haja exaustão, distanciamento social e aversão ao trabalho é preciso procurar ajuda”, completa a fisioterapeuta.

Para tratar essa síndrome, resume Sara, um conjunto de ações é necessário. “No ambiente trabalho, por parte das empresas e gestores deve se buscar clareza nas tarefas solicitadas, estrutura física e ferramentas que possibilitem a execução de serviços, valorizar o trabalhador por meio de “créditos” pelo bom trabalho executado, dentre outras ações que são de responsabilidade do empregador”. Por outro lado, ela reforça que existe a abordagem terapêutica, tradicionalmente voltada para psicoterapias, como as cognitivo-construtivista, analítico-comportamental, cognitivo-comportamental, uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos integrados a exercício físico.

Outra emergente perspectiva de tratamento surge com a fisioterapia, afirma Sara. A doutora e sua equipe, inclusive, apresentaram em agosto deste ano, em Londres, no 6º International Conference and Expo on Novel Physiotherapies, um protocolo de tratamentos envolvendo terapias manuais de relaxamento aliadas a exercícios terapêuticos, os resultados do estudo mostraram que 66% dos participantes obtiveram diminuição nos índices de Burnout, mostrando-se assim como importante aliado no enfrentamento desse processo sindrômico. Fonte: Nathan Sampaio)

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