Advogada é presa por suspeita de sedar e planejar morte do marido por seguro de R$ 1 milhão

A Polícia Civil de Goiás prendeu uma advogada de 47 anos em Goiatuba, suspeita de ser a mentora do assassinato do próprio marido, o biomédico Aurélio Campos de Oliveira. A investigação aponta que o crime foi meticulosamente planejado para que a mulher pudesse receber um seguro de vida no valor de R$ 1 milhão. Detalhes chocantes revelam que a advogada teria sedado a vítima e enviado um vídeo dele aos executores, dois ex-clientes que teriam recebido a promessa de R$ 50 mil pelo serviço.
O caso, que veio à tona com a prisão dos suspeitos nesta quinta-feira (27), quatro meses após a morte do biomédico em 30 de abril, expõe a complexidade e a frieza por trás de crimes motivados por ganância. A advogada, cujos nomes dos envolvidos não foram divulgados pela polícia, permanece à disposição da Justiça, enquanto as investigações continuam a desvendar cada etapa desse plano macabro.
A teia de um crime premeditado e a motivação financeira da advogada
A apuração da Polícia Civil revelou que a advogada agiu com extrema premeditação. Quatro meses antes do assassinato, ela contratou um seguro de vida milionário em nome do marido, designando-se como única beneficiária. Essa ação, por si só, já levantava suspeitas sobre a motivação financeira do crime, que se tornou o foco central da investigação.
Além da contratação do seguro, foram identificadas pesquisas na internet sobre plantas tóxicas, venenos e seus efeitos, indicando uma busca ativa por métodos para incapacitar ou eliminar a vítima. A advogada também teria investigado dívidas do marido que pudessem impactar a herança, demonstrando um controle sobre os aspectos financeiros e sucessórios. Um detalhe perturbador é que, pouco antes da morte de Aurélio, a advogada o convenceu a adotar a filha de 13 anos, o que poderia ter implicações na distribuição de bens.
O plano de execução: sedação e participação de terceiros
As investigações detalham a frieza com que o plano foi executado. A advogada teria prometido R$ 50 mil aos dois ex-clientes para que eles realizassem o assassinato. Na noite do crime, o biomédico recebeu uma substância de uso veterinário com propriedades sedativas, que o deixou vulnerável. A própria advogada gravou um vídeo do marido já deitado e sob efeito do sedativo, enviando-o aos cúmplices como um sinal de que o momento da execução havia chegado.
Após sedar o marido e enviar o vídeo, a advogada deixou a residência com a filha adotiva, alegando que a levaria ao hospital. A polícia considera essa saída uma estratégia para se afastar do local e criar um álibi no exato momento em que os dois ex-clientes invadiram a casa e consumaram o homicídio de Aurélio Campos de Oliveira.
A brutalidade da execução e a ocultação do corpo
O biomédico e empresário Aurélio Campos de Oliveira, que também era proprietário de um laboratório, foi assassinado de forma violenta. A investigação aponta que ele sofreu golpes no rosto e foi atingido por um disparo de arma de fogo. Para evitar rastros, a advogada forneceu luvas aos executores, e o sistema de monitoramento da residência foi desconectado. Contudo, a polícia apurou que ela ainda conseguiu acompanhar a execução pelo celular enquanto estava fora da casa.
Após o assassinato, o corpo de Aurélio foi colocado dentro de um veículo alugado pela própria vítima. O carro foi abandonado em um local ermo, e o cadáver foi levado para uma estrada vicinal de difícil acesso, numa tentativa de dificultar sua localização e a elucidação do crime. Essa complexidade na ocultação do corpo demonstra a sofisticação do planejamento criminoso.
A descoberta e as repercussões da investigação
A advogada retornou à residência após a meia-noite, quando o corpo já havia sido removido. Em um ato que demonstrava a continuidade do plano de encobrir o crime, ela chegou a fotografar os vestígios deixados no quarto e em outras áreas da casa, enviando as imagens aos cúmplices para que soubessem quais rastros precisavam ser eliminados. Contraditoriamente, o desaparecimento da vítima só foi comunicado à polícia por volta das 6h da manhã seguinte.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou, por meio de nota, que a profissional investigada não possui inscrição em seus quadros na seccional goiana. No entanto, a OAB-GO foi notificada e o caso será encaminhado para análise do Tribunal de Ética e Disciplina, reforçando o compromisso da instituição com a legalidade e a conduta ética. Os três suspeitos foram presos preventivamente e estão à disposição da Justiça, com as investigações em andamento para esclarecer todos os detalhes e motivações desse crime hediondo. Para mais informações sobre casos de grande repercussão, acesse g1.globo.com.
Casos como este ressaltam a importância de uma investigação policial rigorosa e do papel da justiça na elucidação de crimes complexos. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros temas relevantes que impactam a sociedade, continue conectado a O Parlamento. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, oferecendo aos nossos leitores uma visão completa dos fatos que moldam o cenário nacional e regional.




