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Morte após plástica em Goiânia: empresária pagou R$ 118 mil e não teve consulta prévia, diz irmã

A morte da empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, após uma série de cirurgias plásticas em Goiânia, reacende o debate sobre a segurança e os protocolos em procedimentos estéticos de alta complexidade. A família da vítima, por meio da irmã Djiane Vieira, denuncia que Andreia desembolsou R$ 118 mil pelos procedimentos e, surpreendentemente, não teve uma consulta presencial com o médico responsável antes da operação.

Andreia, que residia na Espanha há cinco anos, retornou à capital goiana com um objetivo claro: realizar um sonho antigo de passar por cirurgias plásticas. Segundo Djiane, todo o processo de preparação começou ainda na Europa, onde a empresária realizou os exames pré-operatórios solicitados e enviou os resultados para a equipe médica no Brasil. A família agora questiona a condução do caso, levando o Ministério Público de Goiás (MP-GO) a solicitar a abertura de um inquérito policial para investigar a possível prática de homicídio culposo.

O Sonho e o Alto Investimento na Cirurgia Plástica

A decisão de Andreia de se submeter às cirurgias plásticas não foi impulsiva. A irmã Djiane Vieira revelou que a empresária passou dois anos poupando para custear os procedimentos, um investimento significativo de R$ 118 mil. “Não é fácil você reunir R$ 118 mil ganhando salário. Então era um sonho na cabeça dela que já vinha de anos”, desabafou Djiane, ressaltando o valor emocional e financeiro atrelado à expectativa de Andreia.

Durante a fase pré-operatória, ainda na Espanha, um dos exames de Andreia teria apresentado uma alteração indicativa de uma bactéria. Além disso, a empresária informou à equipe médica sobre o uso de medicamentos, incluindo hormônios, e recebeu a orientação de suspender a medicação uma semana antes da data marcada para a cirurgia. Esses detalhes são cruciais para a investigação, pois apontam para a necessidade de uma avaliação médica minuciosa e presencial.

Protocolos Questionados: A Falta de Consulta Presencial

A família de Andreia aponta a ausência de uma consulta presencial com o médico como um dos pontos mais críticos do caso. Andreia chegou a Goiânia em 3 de agosto, com uma consulta agendada para o dia 10. Contudo, conforme relato de Djiane, a secretária do médico informou que o encontro havia sido cancelado, e a avaliação seria feita diretamente no centro cirúrgico.

Essa mudança no protocolo fez com que Andreia só tivesse contato presencial com a equipe médica no dia 11 de agosto, já no hospital, momentos antes de ser internada para a cirurgia. “Até nesse momento a minha irmã não tinha passado pelo médico e não fez uma avaliação própria, pessoalmente”, afirmou Djiane, destacando a preocupação com a falta de um exame clínico aprofundado antes de procedimentos tão invasivos.

A Longa Cirurgia e a Piora no Pós-Operatório

Os procedimentos cirúrgicos de Andreia tiveram início por volta das 7h e se estenderam por aproximadamente dez horas, com a empresária retornando ao quarto apenas às 17h30. Durante esse período, Andreia passou por uma série de intervenções no rosto e pescoço, incluindo ritidoplastia profunda, frontoplastia, mentoplastia, blefaroplastia e aplicação de gordura, conforme apurado pelo g1.globo.com.

Após a cirurgia, Andreia voltou ao quarto bastante inchada e com dificuldades para respirar. A irmã relatou que o quadro da empresária piorou ao longo da noite, e ela pedia insistentemente por atendimento médico. A situação culminou em um desfecho trágico: Andreia faleceu nos braços de Djiane durante a madrugada. “Minha irmã era uma pessoa completamente cuidadosa, cheia de saúde, superdisposta para a vida. E o sonho da vida dela era fazer esse procedimento”, lamentou Djiane, evidenciando a dor da perda.

Investigação e as Versões Envolvidas

Diante da morte de Andreia em 12 de agosto, a família questiona não apenas a conduta médica, mas também a estrutura de emergência disponível no Hospital Ankar. Djiane afirmou ter buscado informações sobre a existência de ambulância e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no momento em que o estado de saúde da irmã se agravou.

Em nota, o médico otorrinolaringologista Lessandro Martins, responsável pela cirurgia, expressou profundo pesar pelo falecimento da paciente e solidariedade à família. No entanto, citando o código de ética médica, ele afirmou que não comentaria detalhes clínicos ou do atendimento, comprometendo-se a prestar todos os esclarecimentos aos órgãos competentes. A defesa do Hospital Ankar, por sua vez, informou que a paciente recebeu atendimento de emergência imediato e que os exames pré-operatórios foram realizados externamente. O hospital também garantiu que todos os registros estão documentados em prontuário e serão disponibilizados às autoridades. O laudo citado pela família indica que a causa da morte foi trombose aguda e infarto pulmonar, o que será objeto da investigação policial.

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