Dom Adair José Guimarães, bispo de Goiás, defende rito religioso contra casamentos informais.

O bispo Dom Adair José Guimarães, da Diocese de Rubiataba-Mozarlândia, em Goiás, gerou debate ao expressar publicamente sua desaprovação a casamentos realizados fora do ambiente eclesiástico tradicional. Durante uma missão no Santuário de Nossa Senhora da Abadia de Muquém, na cidade de Niquelândia, o religioso afirmou que seu “coração fica triste” ao ver casais optando por cerimônias em clubes, praias ou à beira de lagos, sugerindo que tais escolhas denotam uma falta de compreensão sobre o verdadeiro significado do matrimônio.
A declaração foi proferida na última sexta-feira (14), em meio à tradicional Romaria de Nossa Senhora D’Abadia do Muquém, um evento de grande relevância cultural e religiosa para o estado. A fala do bispo reacende discussões sobre a sacralidade do casamento na visão da Igreja Católica e as tendências contemporâneas das celebrações matrimoniais.
A visão eclesiástica sobre o matrimônio
Em sua homilia, Dom Adair José Guimarães foi enfático ao defender que o casamento, para a fé católica, deve ser celebrado “na frente do altar”. Ele argumentou que a escolha de locais como clubes, praias ou margens de lagos, especialmente por “jovens da classe alta”, demonstra uma desconexão com os valores e o propósito espiritual da união. “Quando vejo esses jovens, sobretudo da classe alta, pedir para casar em clube, para casar na beira de praia, de lago, eu já fico com o coração triste. Não sabe o que que é o casamento”, declarou o bispo, conforme amplamente repercutido.
O líder religioso também fez questão de correlacionar a prática da fé com a solidez do vínculo conjugal. Segundo Dom Adair, a participação regular na missa dominical, a oração e a devoção mariana, como o terço, são pilares que fortalecem o casamento e o tornam indissolúvel. “O casal que vai à missa todo domingo, que ora, que recita seu terço, nunca se separa. O casal que adora Jesus na Eucaristia, que ama Nossa Senhora, nunca se separa. Venha o que vier”, afirmou, sublinhando a coesão entre eucaristia e matrimônio.
A tradição da Romaria de Nossa Senhora do Muquém
O palco para a manifestação do bispo foi a secular Romaria de Nossa Senhora D’Abadia do Muquém, um dos eventos religiosos mais antigos e significativos de Goiás. Há mais de 270 anos, milhares de fiéis de diversas regiões do estado e até de outras partes do Brasil convergem para o santuário em Niquelândia, muitos deles percorrendo longas distâncias a pé, em um ato de fé e devoção.
A origem da romaria remonta a uma promessa feita por um explorador português que buscava ouro na região. Em agradecimento, ele teria mandado trazer de Portugal uma imagem de Nossa Senhora da Abadia, dando início a uma tradição de orações e peregrinações que cresceu exponencialmente ao longo dos séculos. A festa do Muquém não é apenas um evento religioso, mas também um importante marco cultural e social, que movimenta a economia local e reforça os laços comunitários e de fé na região norte de Goiás. A relevância do local e da ocasião amplifica o impacto das palavras do bispo, dirigidas a um público já engajado com os preceitos da Igreja.
Para aprofundar-se na história e na importância da Romaria de Muquém, você pode consultar fontes históricas e religiosas sobre o tema. Acesse aqui mais informações sobre a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Reflexões sobre o casamento na sociedade contemporânea
A crítica de Dom Adair José Guimarães insere-se em um contexto mais amplo de discussões sobre a secularização e as diferentes formas de celebração do casamento na sociedade atual. Enquanto a Igreja Católica mantém sua doutrina sobre o matrimônio como um sacramento indissolúvel e realizado em seu templo, muitas pessoas, mesmo aquelas com alguma ligação religiosa, optam por cerimônias que mesclam elementos tradicionais com personalizações em ambientes diversos.
Essa flexibilização reflete mudanças culturais e sociais, onde a busca por experiências únicas e a valorização de espaços que remetam a memórias afetivas ganham destaque. No entanto, para a perspectiva eclesiástica, a essência do sacramento reside na sua dimensão espiritual e na bênção divina conferida no altar, elementos que, segundo o bispo, seriam negligenciados em celebrações fora desse contexto. A fala de Dom Adair serve como um lembrete da persistência dos valores religiosos tradicionais em meio à pluralidade de escolhas contemporâneas.
A posição do bispo de Goiás reforça a importância da doutrina católica para seus fiéis e convida à reflexão sobre o significado profundo do matrimônio. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes, análises aprofundadas e conteúdos que contextualizam os fatos do Brasil e do mundo, fique conectado com O Parlamento. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, com credibilidade e variedade de temas para você.




