Saúde

Harmonia Enlouquece celebra 25 anos com novo álbum e reforça música como terapia

O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) marca um capítulo importante na história da saúde mental brasileira neste sábado (15). A unidade celebra o lançamento de O Quinto dos Infernos, quinto álbum de estúdio do grupo Harmonia Enlouquece. Com um quarto de século de trajetória, a banda se consolidou como um símbolo de resistência e cuidado humanizado dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

A música como ferramenta de cuidado e protagonismo

O projeto, que nasceu em 7 de abril de 2001, Dia Mundial da Saúde, transcende a simples execução musical. Formado por pacientes psiquiátricos e profissionais de saúde, o grupo utiliza a arte como um pilar central do tratamento, promovendo a escuta ativa e o protagonismo daqueles que buscam suporte no CPRJ. Ao longo desses 25 anos, mais de 75 pessoas integraram o conjunto, que hoje conta com 13 componentes, sendo nove pacientes em tratamento.

A alma do projeto reside na criatividade de Hamilton de Jesus Assunção. Paciente da unidade desde 1998, o compositor é responsável pela autoria de 62 das 65 músicas gravadas pelo grupo. Para o diretor-geral do CPRJ, Francisco Sayão, que também integra a banda no violão, a contribuição de Hamilton é o motor que mantém o projeto vivo e pulsante. O novo álbum, composto por 13 faixas, reafirma essa parceria, trazendo 11 composições inéditas assinadas pelo músico.

Trajetória e reconhecimento institucional

A relevância do Harmonia Enlouquece ultrapassa os muros do hospital. Recentemente, o grupo foi agraciado com o Prêmio Asas, da Lei Aldir Blanc-RJ, um reconhecimento que valida o impacto cultural e social da iniciativa. A unidade, vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), é reconhecida nacionalmente por integrar oficinas de arte ao cotidiano dos pacientes, garantindo que o acesso à cultura seja um direito contínuo, sem episódios de evasão.

O impacto do trabalho é sentido diariamente pelos frequentadores do centro. Segundo Hamilton, que iniciou sua jornada na rede pública de saúde em 1984, a música atua como um regulador emocional fundamental. “Música é uma coisa maravilhosa. Ela levanta o nosso astral, mesmo quando ele está em baixa”, reflete o compositor, cuja produção artística se tornou um arquivo vivo da própria história do CPRJ.

Expansão e novos horizontes digitais

O futuro do projeto aponta para uma maior integração com a comunidade e o uso de novas tecnologias. Desde 2016, o Ponto de Cultura do CPRJ promove encontros mensais que reúnem integrantes de diversos institutos de saúde mental, como o Ipub e o Instituto Municipal Philippe Pinel. A gestão planeja agora ampliar o alcance dessas ações, com a criação de uma rádio online e a produção de podcasts, visando levar a voz do Harmonia Enlouquece para além dos pátios da unidade.

O lançamento oficial de O Quinto dos Infernos ocorre no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MuhCab). A programação inclui uma exposição histórica sobre o grupo, uma roda de conversa sobre inclusão e a exibição do documentário Harmonia Enlouquece – Um mergulho musical pela saúde mental, dirigido por Flávia Lima. O evento é um convite para refletir sobre a importância da arte na reinserção social e no acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico.

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