Goiás

Marconi Perillo busca retomar pauta da segurança pública em meio a histórico de contratações temporárias

O ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), colocou a segurança pública no centro de sua estratégia para tentar retornar ao Palácio das Esmeraldas. Em sua atual plataforma de campanha, o tucano defende a ampliação do efetivo policial, a valorização das carreiras e o reforço estrutural das forças de segurança. No entanto, o discurso de renovação enfrenta o desafio de confrontar o legado deixado por seus quatro mandatos anteriores, período marcado por medidas emergenciais e modelos de contratação que foram posteriormente invalidados pelo Poder Judiciário.

O legado do Simve e a judicialização das políticas de segurança

Um dos episódios mais emblemáticos da gestão de Perillo foi a criação do Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve), em 2012. O programa buscava suprir o déficit de pessoal na Polícia Militar por meio da contratação de reservistas das Forças Armadas. Na época, os integrantes recebiam remunerações que variavam de R$ 939,33, durante o curso de formação, a R$ 1.341,90 após a conclusão, atuando como soldados de 3ª classe.

O modelo, contudo, foi alvo de intensos questionamentos jurídicos. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do Simve. A decisão resultou no desligamento imediato de cerca de 2,5 mil temporários que compunham o efetivo ostensivo do Estado, gerando um vácuo operacional e críticas sobre a sustentabilidade da política de segurança adotada pelo governo estadual à época.

Modelos temporários e o impacto nas carreiras policiais

Além do Simve, a administração de Marconi Perillo implementou outras soluções de caráter provisório que geraram desgaste com as categorias. A criação da figura do soldado de 3ª classe estabeleceu uma hierarquia salarial inferior para profissionais que, na prática, cumpriam as mesmas funções e enfrentavam os mesmos riscos que os demais policiais militares. A medida foi amplamente criticada por criar uma subcarreira dentro da corporação e acabou sendo extinta posteriormente.

O sistema prisional também foi palco de políticas semelhantes com a contratação de Vigilantes Penitenciários Temporários (VPTs). O modelo enfrentou reiteradas contestações do Ministério Público e de órgãos de controle, que apontavam fragilidades na estrutura de segurança e na gestão de pessoal. Essas decisões, somadas aos índices de criminalidade registrados durante os 16 anos de gestão do tucano, compõem o cenário que agora serve de base para o debate eleitoral.

Contraste de indicadores e o cenário eleitoral atual

A tentativa de emplacar a segurança pública como vitrine eleitoral ocorre em um momento em que os indicadores de criminalidade em Goiás apresentam um perfil distinto. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 indicam que o Estado alcançou resultados expressivos na redução de diversos índices de violência nos últimos anos, período marcado por investimentos em modernização de equipamentos e renovação da frota policial.

Essa mudança de cenário permite ao eleitorado uma comparação direta entre as gestões passadas e os resultados mais recentes. Ao elevar a segurança ao patamar de prioridade, Perillo acaba por convidar o debate sobre a eficácia de suas políticas pretéritas. A trajetória do candidato, agora, é confrontada pela necessidade de explicar como suas novas propostas de valorização profissional se distanciam das soluções temporárias que marcaram sua passagem pelo Executivo estadual.

O O Parlamento segue acompanhando de perto os desdobramentos da corrida eleitoral e as propostas dos candidatos para os principais desafios do Estado. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas e cobertura jornalística de qualidade sobre os temas que impactam a vida dos cidadãos.

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