Lula é líder no 1º turno e empata com Flávio Bolsonaro no 2º, aponta BTG/Nexus.

Uma nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (10), aponta que o presidente Lula (PT) mantém a liderança nas intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue em um empate técnico com o petista no segundo turno. O levantamento reflete um cenário de estabilidade em relação à semana anterior, mesmo diante de recentes desdobramentos políticos que agitaram ambas as campanhas.
Os dados, coletados entre sexta-feira (7) e domingo (9), oferecem um panorama sobre a corrida presidencial, destacando a polarização entre os dois principais nomes e a presença de outros candidatos que buscam consolidar suas bases eleitorais.
Lula e Flávio Bolsonaro: a disputa no primeiro turno
No cenário do primeiro turno, o presidente Lula registra 40% das intenções de voto, mantendo uma vantagem sobre Flávio Bolsonaro, que aparece com 35%. A diferença de cinco pontos percentuais entre os dois candidatos permanece dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%.
Essa margem de cinco pontos representa uma leve oscilação em comparação com a pesquisa da semana passada, quando a diferença era de quatro pontos (Lula com 41% e Bolsonaro com 37%). A estabilidade dos números sugere que, apesar dos acontecimentos recentes, as preferências do eleitorado se mantiveram relativamente consolidadas.
Outros nomes também foram testados no levantamento. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), obteve 5% das intenções de voto. Em seguida, aparecem Renan Santos (Missão) com 4%, Romeu Zema (Novo) com 3%, Samara Martins (UP) com 2% e Augusto Cury (Avante) com 1%. Os votos brancos e nulos somam 5%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
Segundo turno: estabilidade no empate técnico
A pesquisa BTG/Nexus também simulou um cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, indicando um empate técnico. O presidente Lula aparece com 47% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registra 44%. Esse quadro se mantém estável em relação à rodada anterior, divulgada em 3 de agosto, quando os candidatos marcavam 46% e 45%, respectivamente.
A persistência do empate técnico no segundo turno sublinha a intensa disputa que se desenha, onde cada ponto percentual pode ser decisivo. A proximidade dos números sugere que a eleição poderá ser definida por detalhes e pela capacidade das campanhas de mobilizar seus eleitores até o último momento.
Contexto político: os desafios de cada campanha
O levantamento da BTG/Nexus é divulgado em um momento de intensa movimentação nos bastidores políticos, com repercussões diretas nas campanhas de ambos os candidatos. A pesquisa reflete o impacto de eventos recentes que colocaram em xeque a imagem de figuras próximas a Lula e a estratégia de alianças de Flávio Bolsonaro.
O caso Marcola e a campanha de Lula
A campanha de Lula precisou lidar com a revelação de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, recebeu R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger. Luchsinger é investigada pela Polícia Federal e tem laços de amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, que é alvo de três inquéritos da PF. O caso gerou forte artilharia da oposição contra Lula.
Marcola, que havia deixado a chefia de gabinete para atuar na coordenação da campanha de reeleição do petista, pediu para se afastar da equipe após a repercussão do caso. Ele alega que os valores recebidos são referentes a um empréstimo já quitado. O presidente Lula, por sua vez, determinou que o assessor prestasse explicações e defendeu as investigações, mas também ressaltou que acusações não comprovadas são historicamente usadas pela direita contra a esquerda.
A chapa de Flávio Bolsonaro e as polêmicas de Alfredo Gaspar
Pelo lado de Flávio Bolsonaro, a pesquisa é a primeira após o anúncio do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice. A escolha de Gaspar frustrou a expectativa de ter uma mulher na chapa e evidenciou o isolamento do senador, que encerrou as convenções partidárias sem firmar alianças com siglas expressivas. Partidos como Republicanos, Podemos, PP e União Brasil optaram pela neutralidade no pleito.
A aposta em Gaspar, ex-relator da CPI do INSS, visa explorar o caso Lulinha, dada a investigação da PF sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente e um lobista. No entanto, o próprio Alfredo Gaspar enfrenta sérias acusações. Ele é alvo de um pedido de investigação da Polícia Federal no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de estupro de vulnerável, envolvendo uma adolescente de 13 anos e supostas tentativas de suborno para silenciar a família. O caso aguarda posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ministro Gilmar Mendes, relator, determine a abertura do inquérito. Gaspar nega as acusações, alegando perseguição política e submetendo-se a exame de DNA para provar sua inocência.
Além disso, o deputado alagoano já é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por suspeitas de irregularidades no desvio de emendas parlamentares, as chamadas “emendas Pix”, totalizando R$ 6 milhões repassados ao município de São José da Laje (AL). Essas controvérsias adicionam complexidade à chapa de Flávio Bolsonaro, que busca consolidar seu eleitorado.
Avaliação do governo Lula
A pesquisa BTG/Nexus também consultou os eleitores sobre a avaliação do atual governo Lula. Os resultados indicam que 44% consideram a gestão negativa, enquanto 34% a avaliam como positiva. Outros 21% classificam o governo como regular, e 2% não souberam ou não responderam. Essa avaliação se manteve estável em relação à semana anterior, mostrando que a percepção pública sobre a administração federal não sofreu grandes alterações no período.
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