Goiás

Ameaça ao tambaqui: peixe popular no Brasil entra em lista de extinção e futuro da pesca é incerto

O tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais consumidos e valorizados na culinária brasileira, especialmente na região Norte, foi oficialmente incluído na lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil. A medida, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), acende um alerta não apenas para a biodiversidade amazônica, mas também para as comunidades que dependem diretamente da pesca e comercialização do peixe para sua subsistência.

A inclusão na lista é resultado de um declínio populacional significativo, projetado em 43,4% ao longo de três gerações, e exige a elaboração de um plano de recuperação para a espécie. Caso esse plano não seja apresentado e aprovado dentro do prazo estabelecido, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional, gerando impactos econômicos e sociais de grande escala.

Declínio populacional e a classificação de vulnerabilidade

A situação do tambaqui tem sido monitorada por pesquisadores há anos, que observam a crescente pressão da pesca em seu habitat natural. De acordo com o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o tambaqui foi classificado como “Vulnerável”. Essa categoria indica que a espécie enfrenta um alto risco de extinção na natureza em um futuro próximo, caso as atuais tendências persistam.

O tambaqui é nativo das bacias amazônica e orinoco, ocorrendo naturalmente nos estados brasileiros do Acre, Rondônia, Amazonas e Pará. Sua presença é mais marcante nas planícies aluviais do rio Amazonas e em seus principais afluentes, onde desempenha um papel ecológico fundamental e é peça central na dieta e cultura local. A redução de sua população é um indicativo preocupante da saúde dos ecossistemas aquáticos da Amazônia.

O prazo do MMA e a urgência do plano de recuperação

A Portaria nº 1.666 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima estabeleceu um prazo de 180 dias, com data limite em 25 de outubro, para que um plano de recuperação populacional do tambaqui seja proposto por especialistas e aprovado sob coordenação do próprio ministério. Este documento é crucial para definir as estratégias e ações necessárias para reverter o quadro de declínio e garantir a sobrevivência da espécie.

A urgência da situação é sublinhada pela consequência direta do não cumprimento do prazo: a proibição da pesca do tambaqui em todo o Brasil. Uma medida como essa, embora necessária para a conservação, teria profundas repercussões para a cadeia produtiva do pescado, desde os pescadores artesanais até os grandes mercados consumidores, afetando a economia de diversas regiões.

Impactos e o clamor das comunidades pesqueiras

A possibilidade de restrição da pesca do tambaqui gerou grande apreensão entre pescadores e pesquisadores, que já se mobilizam para pedir ao Ministério do Meio Ambiente a revisão da inclusão na lista ou, ao menos, a flexibilização da medida em determinadas regiões. A preocupação reside no fato de que a situação da espécie não é homogênea em toda a bacia amazônica.

Estudos do Instituto Mamirauá para o Desenvolvimento Sustentável, por exemplo, apontam que, enquanto em algumas áreas o tambaqui ainda é abundante, em outras, como na bacia do rio Madeira, a espécie chegou a desaparecer por um período e só recentemente voltou a ser encontrada. Essa heterogeneidade sugere a necessidade de abordagens de manejo mais localizadas e adaptadas às realidades de cada ecossistema.

Além disso, ambientalistas e representantes de comunidades tradicionais criticam a falta de consulta aos pescadores no processo de avaliação e inclusão na lista. Há também questionamentos sobre a insuficiência de dados sobre a pesca artesanal em diferentes áreas, visto que a avaliação do ICMBio se baseia principalmente em informações de desembarques de regiões não protegidas, que correspondem a apenas 61% da área de distribuição natural do tambaqui, deixando lacunas significativas sobre unidades de conservação e territórios indígenas.

O futuro do tambaqui e das comunidades que dependem dele está agora nas mãos de um complexo processo de diálogo e planejamento. A busca por um equilíbrio entre a conservação ambiental e a sustentabilidade socioeconômica é um desafio premente que exige a colaboração de todos os envolvidos. Acompanhe as atualizações sobre este e outros temas relevantes em O Parlamento, seu portal de notícias comprometido com informação de qualidade e contextualizada.

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