Goiás

Assassinato em Trindade: filho morto pelo pai carregava trauma de mãe desaparecida há 20 anos

A Polícia Civil de Goiás desvendou um crime brutal em Trindade, revelando uma trama familiar complexa e sombria que se estendia por duas décadas. O assassinato de Thaliton Henrique Dias Machado, ocorrido em janeiro deste ano, teria sido motivado pelo temor de seu pai, Ozanan Ananias Martins, de que o filho denunciasse o antigo desaparecimento da mãe, Aparecida Almeida Dias, ocorrido há cerca de 20 anos em Pires do Rio.

A investigação aponta que Thaliton, morto a tiros pelo próprio pai, carregava consigo um trauma de infância que nunca o abandonou: a lembrança do dia em que sua mãe sumiu, um evento que ele sempre associou à possível participação de Ozanan. Este passado doloroso, combinado com uma dívida e ameaças recentes, teria culminado na tragédia.

O grito que marcou a infância de Thaliton

Muito antes de ser vítima de um homicídio, Thaliton Henrique Dias Machado vivia assombrado por uma memória da infância. Segundo relatos à sua esposa, ele foi levado pelo pai, Ozanan Ananias Martins, junto com a mãe e os irmãos para uma chácara em Pires do Rio. Durante o trajeto, o casal teria tido uma discussão acalorada.

Ao chegarem ao imóvel, as três crianças foram trancadas em um quarto. Pouco tempo depois, Thaliton ouviu um grito feminino de socorro, que se tornou a última lembrança que ele guardou da mãe. A mulher, Aparecida Almeida Dias, nunca mais foi vista desde então, e seu corpo jamais foi encontrado, deixando um mistério que perdurou por anos.

O delegado Tiago Escandolhero, responsável pelo caso, confirmou que Thaliton compartilhava com a viúva a convicção de que seu pai estava envolvido no sumiço de Aparecida. Essa suspeita, carregada por anos, viria à tona de forma fatal.

Dívida, ameaças e o temor da verdade

Nos meses que antecederam sua morte, Thaliton passou a cobrar uma dívida de aproximadamente R$ 50 mil de seu pai. Conforme a apuração policial, ele também ameaçava procurar as autoridades para relatar suas suspeitas sobre o desaparecimento da mãe, caso não recebesse o dinheiro devido. Essa sequência de eventos é vista pela Polícia Civil como o catalisador para o assassinato.

Para o delegado Escandolhero, Ozanan Ananias Martins acreditava que o crime de 20 anos atrás era “perfeito” e que jamais seria descoberto. A cobrança da dívida e, principalmente, a ameaça de denúncia por parte do filho, teriam feito com que o pai temesse que o antigo segredo viesse à tona, levando-o a planejar o homicídio.

A busca por respostas em um mistério de duas décadas

Apesar da nova e contundente linha investigativa, a Polícia Civil enfrenta desafios significativos para elucidar o desaparecimento de Aparecida Almeida Dias. O delegado Tiago Escandolhero ressalta que, até o momento, não existem provas materiais que confirmem o que de fato aconteceu com a mulher há duas décadas.

A equipe policial está empenhada em localizar o boletim de ocorrência registrado na época para compreender como o caso foi tratado inicialmente. Há uma suspeita de que tenha sido registrado apenas como desaparecimento, com uma versão de que Aparecida teria se afogado em um rio infestado por sucuris – uma narrativa que hoje levanta dúvidas nos investigadores. Informações recentes, recebidas pela Polícia Civil, podem auxiliar na conclusão do caso, mas detalhes são mantidos em sigilo para não comprometer as diligências.

Embora a responsabilização criminal pelo desaparecimento possa ser dificultada pelo tempo transcorrido, a corporação busca esclarecer o ocorrido com Aparecida. O objetivo é compreender plenamente como esse episódio do passado se entrelaça e pode ter desencadeado o assassinato do próprio filho, Thaliton, duas décadas depois.

A teia criminosa e as prisões

Thaliton Henrique Dias Machado foi morto a tiros na noite de 23 de janeiro deste ano, enquanto saía para a horta da chácara onde residia, na zona rural de Trindade. A rápida ação da Polícia Civil resultou na prisão de Ozanan Ananias Martins, apontado como mandante do crime, e de sua companheira, Simone Viana Silva, que também teria participação.

O suposto executor, Wanderson da Silva Sousa, foi detido e, segundo as investigações, confessou informalmente ter recebido R$ 15 mil para cometer o assassinato. Posteriormente, Wanderson optou por permanecer em silêncio durante o depoimento formal na delegacia. Para os investigadores, as prisões e as evidências coletadas reforçam a tese de que o homicídio foi uma tentativa desesperada de silenciar o filho e manter um segredo de família enterrado no passado.

A complexidade deste caso, que une um homicídio recente a um desaparecimento antigo, demonstra a persistência da justiça em desvendar crimes, mesmo aqueles que parecem perdidos no tempo. Para continuar acompanhando os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes, com informação atualizada e contextualizada, O Parlamento se mantém comprometido em trazer a você uma cobertura aprofundada e de qualidade.

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