Anápolis

Resgate bombeiro: militar quebra para-brisa com pedra e salva vida em caminhão submerso na Br-060

Em 1º de agosto de 2026, uma ação de bravura e agilidade de um bombeiro militar de Goiás foi crucial para evitar uma tragédia na BR-060. O Cabo Hewertton, de 32 anos, demonstrou heroísmo ao resgatar um motorista que ficou preso dentro de um caminhão tombado no córrego João Leite, localizado entre os municípios de Terezópolis de Goiás e Goianápolis. O incidente, que poderia ter tido um desfecho fatal, ressaltou a importância da pronta-resposta e do preparo individual em situações de extrema urgência.

O acidente ocorreu quando o Cabo Hewertton e o Subtenente Vieira transitavam em uma viatura administrativa e presenciaram o veículo de cargas saindo da pista. O caminhão despencou em direção ao córrego, com a cabine ficando parcialmente submersa. A situação se agravou rapidamente, pois o condutor estava retido no interior da estrutura, preso pelo cinto de segurança e com risco iminente de afogamento. A visibilidade e o acesso eram dificultados pela posição do veículo e pelas condições do local.

A Urgência de um Resgate Bombeiro Improvável

Diante da cena, o Subtenente Vieira imediatamente acionou os órgãos de apoio, solicitando a presença da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da concessionária Triunfo Concebra. Contudo, a gravidade e a rapidez com que a situação evoluía exigiram uma decisão imediata. Sem os equipamentos especializados de salvamento aquático e desencarceramento que normalmente estariam em uma viatura operacional, o Cabo Hewertton não hesitou e pulou no córrego para iniciar o resgate.

A ausência de ferramentas adequadas transformou a missão em um verdadeiro desafio contra o tempo. A BR-060 é uma via de grande fluxo, e acidentes envolvendo veículos de carga frequentemente apresentam complexidades adicionais, como vazamento de combustível e risco de explosões, que foram fatores críticos neste caso. A iniciativa do militar, mesmo sem os recursos habituais, sublinhou a essência do serviço de emergência: a capacidade de improvisar e agir sob pressão.

Enfrentando Perigos e Vazamentos

As condições no córrego eram extremamente adversas. A água, que atingia a altura do peito do bombeiro, estava coberta por uma densa camada de óleo diesel, proveniente de um grande vazamento do tanque do caminhão. Além disso, uma intensa fumaça emanava do motor do veículo, elevando o risco de uma explosão a qualquer momento. “Saía muita fumaça do motor no momento e vazava muito diesel dos tanques ainda, tinha o risco de explosão. Houve também muita dificuldade de acesso à cabine do caminhão”, relatou o Cabo Hewertton ao Portal 6.

A combinação de combustível vazando, fumaça e a dificuldade de acesso à cabine criava um cenário de perigo constante. O militar precisou agir com extrema cautela e rapidez. A visibilidade reduzida e o ambiente aquático contaminado pelo diesel tornavam cada movimento arriscado. A vida do motorista dependia da capacidade de Hewertton de superar esses obstáculos físicos e químicos, que poderiam comprometer tanto a segurança da vítima quanto a do próprio socorrista.

A Ação Decisiva e o Desfecho

Diante da impossibilidade de abrir a porta da cabine ou de usar ferramentas convencionais, o Cabo Hewertton tomou uma decisão drástica e engenhosa. Ele encontrou uma pedra nas proximidades e a utilizou para golpear o para-brisa dianteiro do caminhão até quebrá-lo, criando uma via de acesso direto ao interior do veículo. Essa manobra, embora arriscada, foi o ponto de virada para o sucesso do resgate.

Uma vez dentro da cabine, o militar conseguiu desprender o motorista do cinto de segurança, que o mantinha preso, e removê-lo do caminhão. A vítima foi então levada em segurança até a margem do córrego, onde recebeu os primeiros auxílios. Dada a persistência do vazamento de combustível e da fumaça, o motorista foi imediatamente afastado do veículo para garantir sua segurança. Posteriormente, ele foi atendido pela equipe da concessionária, apresentando apenas escoriações leves e tontura, sem ferimentos graves.

O Impacto do Heroísmo e o Dever Cumprido

O Cabo Hewertton, que serve ao Corpo de Bombeiros há nove anos, destacou que este resgate foi particularmente desafiador devido ao ambiente aquático e aos múltiplos riscos envolvidos. No entanto, o que mais o marcou foi um comentário que ouviu de populares que acompanhavam a cena. “Quando a gente estava com a vítima na margem do João Leite, eu escutei uma pessoa de longe falando ‘graças a Deus que os bombeiros estavam passando na hora e ajudaram’”, relembrou o militar.

Essa observação ressaltou a importância da presença dos bombeiros no local no momento exato, pois a chegada de uma viatura especializada poderia levar um tempo precioso. Para Hewertton, a sensação de ter cumprido o dever em um cenário tão adverso foi imensamente gratificante. “Eu pude ajudar, pude pensar numa forma de tirar ele do caminhão com segurança e rápida, antes que acontecesse uma coisa pior”, concluiu, reforçando o valor da iniciativa e da capacidade de adaptação dos profissionais de segurança pública.

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