Goiás implementa inteligência artificial para acelerar transplantes de córnea

Tecnologia a serviço da vida
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) de Goiás iniciou o desenvolvimento de uma ferramenta baseada em inteligência artificial projetada para otimizar a identificação de potenciais doadores de córneas. A iniciativa visa integrar o sistema de gestão hospitalar da rede estadual à Central Estadual de Transplantes, criando um fluxo de dados mais eficiente para o monitoramento de óbitos em tempo real.
O projeto é fruto de uma parceria estratégica entre a SES, a Secretaria de Estado da Administração (Sead), a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e o HUB Goiás. O desenvolvimento técnico está a cargo do Instituto de Inteligência Artificial na Saúde (Noharm), que busca automatizar a triagem de registros eletrônicos de pacientes.
Desafios logísticos e tempo de resposta
Atualmente, cerca de 1,8 mil pessoas aguardam na fila por um transplante de córnea no estado. A agilidade no processo é o fator determinante para o sucesso do procedimento, uma vez que a janela de captação é extremamente restrita. Segundo a gerente de Transplantes da SES, Katiuscia Freitas, a retirada do tecido ocular deve ocorrer em até seis horas após a parada cardíaca, ou em até 12 horas caso o corpo seja mantido sob refrigeração.
A automação proposta pela nova ferramenta permitirá que as equipes de captação sejam acionadas imediatamente após a notificação de um óbito que preencha os critérios clínicos. Esse ganho de tempo é fundamental para reduzir as perdas de tecidos viáveis e aumentar a oferta de transplantes para os pacientes que aguardam na rede pública.
Ética e protocolos de doação
Apesar da inovação tecnológica, a Secretaria de Estado da Saúde reforça que a implementação da IA não altera os protocolos éticos e legais vigentes. A ferramenta atuará apenas como um suporte operacional para a identificação de candidatos, mantendo a obrigatoriedade da autorização familiar para a efetivação da doação.
A abordagem às famílias continuará sendo realizada por profissionais capacitados, respeitando o momento de luto e garantindo que o processo de doação de órgãos e tecidos siga as normas do Sistema Nacional de Transplantes. A tecnologia, portanto, serve como um facilitador logístico, eliminando gargalos burocráticos que frequentemente atrasam a comunicação entre as unidades hospitalares e a central de regulação.
O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos desta tecnologia e o impacto real na redução da fila de espera por transplantes em Goiás. Continue conectado ao nosso portal para se manter informado sobre as principais inovações em saúde pública e os temas que impactam diretamente a sociedade brasileira.




