Goiânia detalha plano de R$ 580 milhões para combater alagamentos históricos

Os problemas crônicos de alagamento que assolam Goiânia a cada período chuvoso podem estar mais próximos de uma solução abrangente. A Prefeitura da capital goiana revelou, em 26 de julho de 2026, os detalhes de um ambicioso plano de macrodrenagem, projetado para mitigar ou, idealmente, resolver as inundações que anualmente causam transtornos e prejuízos à população. O projeto prevê um investimento significativo de R$ 580 milhões, buscando transformar a infraestrutura de drenagem da cidade.
A iniciativa surge como uma resposta urgente a uma questão que se repete há décadas, impactando a mobilidade urbana, a segurança dos cidadãos e a economia local. A proposta vai além de intervenções pontuais, buscando uma abordagem sistêmica para um desafio complexo que exige coordenação entre diversas esferas de governo e a adoção de tecnologias e conceitos modernos de gestão hídrica urbana.
Investimento e prioridades: a Marginal Botafogo no centro da atenção
Em entrevista ao Jornal Opção, o prefeito Sandro Mabel (União) detalhou as principais frentes de atuação do plano. A obra mais cara e considerada prioritária é a reconstrução completa da Marginal Botafogo, uma das vias mais importantes e, paradoxalmente, uma das mais afetadas por interdições e danos estruturais durante as chuvas intensas. A via, vital para o fluxo de veículos na cidade, frequentemente se transforma em um rio, isolando bairros e gerando caos no trânsito.
Além da Marginal, o plano contempla a construção de novas bacias de contenção em regiões críticas, como os córregos Capim Puba e Cascavel. Essas estruturas são essenciais para reduzir a velocidade e o volume das águas pluviais antes que elas atinjam os rios, minimizando o risco de enchentes e processos erosivos. O prefeito explicou que o represamento do Córrego Capim Puba, agravado pela elevação do Rio Meia Ponte, é um fator chave para os alagamentos em bairros como a Vila Roriz, destacando a interconexão dos sistemas hídricos da capital.
Estratégia além dos canais: o Plano Diretor de Drenagem Urbana
A base conceitual do ambicioso projeto é o Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia (PDDU-GYN). Elaborado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em colaboração com a Defesa Civil e outros órgãos técnicos, o PDDU-GYN propõe uma série de medidas inovadoras para enfrentar os alagamentos históricos da capital. A estratégia vai muito além da simples ampliação de galerias e canais, que muitas vezes apenas transferem o problema de um ponto para outro.
Conforme explicou Klebber Formiga, coordenador do plano e professor da UFG, a solução reside em “reter a cheia antes que ela cause o alagamento”. Essa abordagem moderna inclui a implementação de jardins de chuva, pavimentos permeáveis, sistemas avançados de monitoramento e mecanismos permanentes de gestão da drenagem. O especialista ressaltou que, embora Goiânia possua uma rede de microdrenagem razoável para os padrões brasileiros, ainda existem bairros sem estrutura adequada e locais onde a água não consegue sequer alcançar as bocas de lobo.
Uma medida considerada fundamental para o sucesso a longo prazo do plano é a aprovação da Lei de Drenagem de Goiânia. Essa legislação, ainda em trâmite, deverá exigir que novos empreendimentos imobiliários incorporem soluções para armazenar parte da água da chuva dentro de seus próprios lotes, antes de direcioná-la para a rede pública. Tal exigência visa descentralizar a gestão da água e reduzir a sobrecarga sobre o sistema de drenagem municipal.
Desafios e o longo caminho da aprovação do financiamento
Apesar da clareza e da urgência do plano, o pacote de investimentos de R$ 580 milhões ainda enfrenta um complexo e demorado processo burocrático. O recurso, que viria por meio de um empréstimo do Fundo Clima – uma linha de financiamento do Governo Federal voltada para ações de adaptação às mudanças climáticas –, necessita de uma série de aprovações. O projeto terá que passar pela Câmara Municipal, além de obter o aval de instituições federais como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Tesouro Nacional e o Senado Federal.
A expectativa da prefeitura é que todo esse processo de liberação dos recursos leve mais de um ano. No entanto, o Executivo municipal demonstra proatividade ao planejar adiantar os projetos executivos das obras. Essa medida estratégica visa garantir que, assim que os fundos forem liberados, as intervenções possam ser iniciadas sem maiores delongas, acelerando a implementação das soluções e a tão esperada melhoria na qualidade de vida dos goianienses.
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